DNOTICIAS.PT
Fact Check Madeira

Albuquerque mudou posição sobre apoios ao futebol profissional?

Entre o discurso no CD Nacional e a resposta ao Marítimo, há contradição?

None
foto ASPRESS

As declarações de Miguel Albuquerque sobre financiamento ao futebol profissional na Madeira têm sido apontadas nas redes sociais como exemplo de “dois pesos e duas medidas”, por alegada contradição entre o que disse em Dezembro, no aniversário do CD Nacional, e a posição assumida esta quarta-feira, quando rejeitou qualquer aumento extraordinário de apoios.

No jantar comemorativo dos 115 anos do CD Nacional, em Dezembro, o presidente do Governo Regional afirmou que o Executivo deveria “encontrar meios de financiamento que permitam à SAD do Nacional disputar os primeiros lugares da I Liga”, acrescentando que estava disponível para “colaborar nesses contactos”. No mesmo discurso, defendeu uma ambição desportiva mais elevada para o clube, apontando a necessidade de reforçar a competitividade.

Já esta quarta-feira, em resposta ao pedido do presidente do Marítimo para um reforço de verbas, Albuquerque garantiu que não haverá aumento extraordinário de financiamento ao futebol profissional, sublinhando que o actual modelo de apoios já prevê mecanismos automáticos associados ao desempenho desportivo e que qualquer reforço teria de caber dentro das regras orçamentais e das prioridades do Governo Regional.

À primeira vista, os dois momentos têm sido interpretados como contraditórios. No entanto, a análise ao conteúdo das declarações revela diferenças relevantes de contexto e natureza. No caso do CD Nacional, o discurso teve lugar num evento comemorativo de um clube, com uma componente política e de ambição estratégica, onde Albuquerque falou em “encontrar meios de financiamento” sem especificar aumento directo de verbas públicas ou extraordinárias.

Por outro lado, a posição assumida em relação ao Marítimo insere-se numa resposta formal a um pedido concreto de reforço de apoio financeiro, onde o Governo Regional clarificou a manutenção da linha de contenção orçamental e a ausência de qualquer decisão de aumento extraordinário.

Em ambos os casos, Albuquerque mantém a mesma linha de princípio: apoio ao futebol dentro de um enquadramento existente, aposta na competitividade, mas sem comprometer um aumento estrutural ou extraordinário do financiamento público.

Assim, a leitura de uma inversão de posição depende da interpretação das declarações iniciais como promessa concreta de mais dinheiro público, o que não é explicitamente afirmado no discurso de Dezembro, mas antes uma abertura genérica à procura de soluções de financiamento.

Pode concluir-se que há aqui uma mudança de discurso ou uma continuidade com contextos diferentes?