Ministro da Defesa quer reforço da Europa na NATO mas EUA são "aliado fundamental"
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, reconheceu hoje que "não há NATO sem Estados Unidos", que são um "aliado fundamental", mas defendeu ser necessário "reforçar o pilar europeu de defesa" da organização.
"Os Estados Unidos [da América] são um aliado fundamental da NATO. Em boa verdade, não há NATO sem Estados Unidos", disse o governante, em declarações aos jornalistas em Beja, hoje à noite, à margem de uma visita à feira agropecuária Ovibeja.
Contudo, na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), é necessário "reforçar o pilar europeu de defesa", argumentou o ministro.
O objetivo é "que possamos depender mais de nós, do que depender apenas daquilo que nos habituámos a ter no passado do outro lado do Atlântico", acrescentou.
À chegada à 42.ª Ovibeja, o ministro da Defesa Nacional foi questionado pelos jornalistas sobre declarações feitas hoje pelo Presidente da República, António José Seguro, no encerramento do Fórum La Toja -- Vínculo Atlântico, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Neste fórum, o Chefe de Estado considerou também que "a defesa europeia não pode continuar a ser uma caminhada lenta, baseada apenas em coligações de vontade".
E, em termos de política externa, António José Seguro defendeu que "a relação com os Estados Unidos da América é, e deverá continuar a ser, um dos eixos estruturantes da política europeia" e que a NATO "permanece necessária" perante as ameaças do século XXI, "ainda que nem todos o compreendam".
"Mas as relações transatlânticas não podem ser apenas uma herança que administramos. Tem de ser uma parceria que renovamos. Uma parceria entre iguais, em que a Europa afirma os seus interesses, contribui com o seu peso e não abdica dos seus valores. Incluindo quando esses valores nos colocam em tensões com posições com Washington", ressalvou.
De acordo com o ministro Nuno Melo a posição do Presidente da República "é coincidente com a do Governo naquilo que é uma perspetiva de lucidez em relação a uma aliança, a NATO, que tem assegurado a paz na Europa desde a sua fundação".
"Não invalida que, com a alteração poderosa no contexto geopolítico, não devamos atualizar aquilo que é o papel da NATO em relação ao futuro e, nomeadamente, o papel de Portugal e dos parceiros europeus da NATO nesse contexto", admitiu, referindo que é precisamente isso que Portugal e a Europa estão a fazer.
O governante lembrou que Portugal atingiu em 2025 "um investimento de 2% do Produto Interno Bruto na defesa nacional".
"Quando hoje se investe prioritariamente na defesa, quando se traz a defesa nacional para a linha da frente das preocupações da governação, nós estamos a rever muita coisa, estamos a dizer que temos de fazer mais por nós, mas isso não invalida termos noção da importância estratégica decisiva da relação transatlântica", reiterou.