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António Costa diz que Europa tem de ter "nervos de aço" para lidar com EUA

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Foto EPA/FERNANDO VELUDO

O presidente do Conselho Europeu afirmou hoje que a Europa tem de ter "nervos de aço" para lidar com os Estados Unidos e tem de levar a sério as posições oficiais norte-americanas.

Durante um debate com alunos na Universidade Católica Portuguesa, no Porto, António Costa afirmou que os EUA são aliados, amigos e parceiros, motivo pelo qual a preservação das relações transatlânticas é uma prioridade para a UE.

Ao longo do último ano, a UE tem procurado dar todos os contributos para estabilizar essa relação nas suas diferentes dimensões, assinalou.

Costa, que tinha a seu lado o antigo ministro da Defesa Azeredo Lopes, recordou que os Estados-membros da UE acordaram uma repartição de encargos mais justa entre uns e outros para a NATO, têm apoiado os esforços do Presidente norte-americano, Donald Trump, para mediar a paz na Ucrânia e têm, sobretudo, procurado estabilizar a relação comercial com base num acordo comercial.

"Portanto, temos dado a nossa parte do contributo, a outra parte do contributo é termos nervos de aço", considerou.

Segundo António Costa, uma das vantagens do processo de decisão europeia é que nem a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nem o próprio assinam ordens executivas.

E isso permite-lhes prosseguir com esta relação com a tranquilidade que é necessária ter para preservar o essencial da relação transatlântica, sublinhou.

O presidente do Conselho Europeu ressalvou ainda a Europa não pode ignorar aquelas que são as posições oficiais dos Estados Unidos.

"Quando é publicada a Estratégia Nacional de Segurança nós percebemos que não estamos só a falar de um discurso de um vice-presidente americano numa sua visita de passagem à Europa, estamos a ler um documento que é a doutrina oficial dos Estados Unidos e temos que levar a sério", referiu.

Para António Costa, a Europa deve tomar "boa nota" das posições dos EUA e, depois, agir em conformidade.

O ex-primeiro-ministro voltou ainda a insistir na necessidade do investimento em defesa, destacando que investir na defesa é evitar a guerra e garantir a paz.

Com equipamento militar se faz a guerra, mas também se dissuade os outros de fazer a guerra, vincou.

"A paz sem defesa é uma ilusão, não podemos estar nessa fragilidade", entendeu.

Mas, para o presidente do Conselho Europeu não basta gastar mais na NATO, a Europa tem de investir na sua própria indústria para assegurar a autonomia.