“No Exército, o rigor não é uma opção, é uma condição de sobrevivência”
Madeira prepara 124 militares para integrar ‘European Union Battlegroup’
A presidente da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) esteve, esta manhã, no Regimento de Guarnição N.º 3 (RG3), para um encontro com a Companhia de Atiradores do Batalhão da European Union Battlegroup (EUBG), que incluiu, entre outros, uma demonstração de capacidades.
Esta Companhia de Atiradores do Batalhão de lnfantaria da Zona Militar da Madeira é composta por um efectivo de 120 militares e integrará o European Union Battlegroup (EUBG) 26-2/27-I, sob comando espanhol, especificamente um Batalhão de lnfantaria Espanhol da Brigada Canárias XVl.
“A vossa presença nesta força integrada no Batalhão da European Union Battlegroup traduz o compromisso de Portugal com a segurança colectiva, a estabilidade internacional e a defesa dos valores que sustentam as democracias europeias”, disse a presidente do parlamento, acrescentando que, ao longo dos anos, o nosso país tem sabido afirmar-se como um “parceiro credível e responsável nas missões internacionais, contribuindo activamente para a paz e para a cooperação entre nações”.
Rubina Leal sublinhou, na sua intervenção, que “cada militar português destacado representa não apenas as Forças Armadas, mas todo um país, a sua história, os seus valores e a sua identidade”. Sendo que a Região Autónoma da Madeira tem, neste contexto, “um papel de particular relevo”.
É a primeira vez que um contingente de 120 militares da Madeira integra uma força da União Europeia (que embora seja em prontidão, até agora só tínhamos projectados Pelotões de cerca de 30 militares). Sendo disso exemplo os 30 militares em estão, neste momento, em preparação em Viseu para serem projectados para a Roménia (durante 6 meses) já em Julho.
“A Madeira orgulha-se profundamente de cada um de vós que parte para esta missão. Orgulha-se do vosso percurso, da vossa preparação e do vosso compromisso com o serviço público”, constatou a presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, num discurso em que também defendeu o investimento nas Forças Armadas e a importância da posição geoestratégica da Madeira no contexto da defesa nacional.
“Investir nas Forças Armadas é investir na soberania nacional, na segurança dos cidadãos e na credibilidade internacional de Portugal. É garantir que os nossos militares dispõem dos meios adequados, da formação necessária e das condições dignas para cumprir as suas missões com eficácia e segurança”. Presidente da ALM
Esta participação conta ainda com mais 4 militares da Zona Militar da Madeira, que desempenharão funções no Comando e Estado-Maior do EUBG (entre os quais o Comandante do RG3, Coronel Musa Paulino, como Deputy Force Commander).
Na oportunidade, aos presentes, foi explicado que este envolvimento insere-se no âmbito dos compromissos assumidos por Portugal com os Mecanismos de Resposta Rápida da União Europeia (UE), a fim de fazer face, de forma célere, a uma situação de crise em qualquer área de interesse da União Europeia, inicialmente, num raio de 6000 km de distância a Bruxelas, perante ameaças estatais ou não estatais, no âmbito de uma decisão de activação do EUBG, de acordo com a Política Comum de Segurança e Defesa (PCSD) da UE.
O comandante da Zona Militar da Madeira, brigadeiro-general José Carlos Loureiro, começou por destacar o reconhecimento institucional por parte da ALM, que tem sido, no seu entender, fundamental para que a sociedade compreenda a importância da missão.
“No Exército, o rigor não é uma opção, é uma condição de sobrevivência. Estamos a ser intransigentes no profissionalismo e na competência, aproveitando cada oportunidade de treino para forjar uma força capaz de superar as mais duras dificuldades que uma operação militar possa apresentar”. Comandante da Zona Militar da Madeira, sobre a demonstração de capacidades, que antecedeu os discursos.
O comandante da Zona Militar da Madeira lembrou que “não há atalhos para a excelência militar” e exortou todos os militares a manterem o foco no aprontamento, “pois é no suor despendido no treino operacional que se tempera o carácter para o frio do combate”.
O conceito de EUBG abarca um conjunto integrado e multinacional de capacidades baseado numa Unidade de Escalão Batalhão reforçada com meios de Apoio de Combate, de Apoio de Serviços e os chamados enablers (disponibilidade de capacidades aéreas, marítimas, logísticas e outras que permitam e facilitem a projeção de forças).
As missões que os militares da Madeira poderão desempenhar, passam por missões de Imposição da Paz, de Apoio à resposta a Catástrofes Humanitárias e de Prevenção de Escalada de Conflitos, por um período limitado, numa área que seja considerada de interesse da UE.
O comandante da Zona Militar da Madeira, brigadeiro-general José Carlos Loureiro, explicou que “a disponibilidade do Exército Português e das Forças Armadas Portuguesas para integrar as organizações internacionais tem sido permanente ao longo dos tempos”, mas que, agora, com um crescendo de conflitos em todo o Mundo, tem mais visibilidade, num trabalho conjunto para “acudir e garantir a segurança na Europa”.