Pelo menos oito mortos em Dnipro durante "mais de 20 horas" de ataques
Pelo menos oito pessoas morreram e 49 ficaram feridas na cidade de Dnipro, no centro-leste da Ucrânia, alvo de vagas de ataques aéreos russos "durante mais de 20 horas", anunciaram hoje as autoridades ucranianas.
Afirmando agir em retaliação a ataques ucranianos a infraestruturas civis russas, a Rússia divulgou ter realizado um "ataque maciço" a "instalações da indústria de defesa e do setor energético, bem como infraestruturas portuárias".
Situada a mais de 100 quilómetros da linha da frente que atravessa o leste e o sul da Ucrânia, a cidade industrial de Dnipro sofreu fortes danos.
"Durante mais de 20 horas atrozes, os russos bombardearam Dnipro em vagas", declarou o chefe da administração militar regional de Dnipropetrovsk, Oleksandr Ganja, na plataforma digital Telegram.
"Atacaram com mísseis e 'drones'. Atacaram deliberadamente. Tomaram como alvo bairros residenciais", acrescentou.
O mais recente balanço é de oito mortos e 49 feridos, segundo o presidente da Câmara de Dnipro, Boris Filatov, depois de um anterior que dava conta de seis mortos.
Fotos divulgadas pelas equipas de resgate ucranianas mostram um edifício de habitação em grande parte destruído, socorristas com capacetes tentando confortar uma mulher, moradores visivelmente atordoados e uma mulher transportando uma gaiola com pássaros.
"Os russos estão a atacar deliberadamente alvos civis e, assim que as equipas de resgate, as equipas técnicas, a polícia e os paramédicos chegam, voltam a atacar", afirmou Filatov, indicando que um dos seus assessores quase foi morto enquanto avaliava os danos.
Noutra mensagem no Telegram, o autarca classificou a ofensiva como o "maior ataque a Dnipro" desde o início da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022.
A região em redor da cidade foi também alvo de ataques de 'drones' e fogo de artilharia russos, que feriram seis pessoas, entre as quais um bebé de um ano e um menino de quatro, indicou Oleksandr Ganja.
Os esforços diplomáticos para pôr fim ao conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estão paralisados.
O papel de mediador dos Estados Unidos, que facilitou várias rondas de negociações entre Kiev e Moscovo, foi suspenso pela eclosão da guerra no Médio Oriente, no final de fevereiro.
"É importante que o mundo não se mantenha em silêncio sobre o que está a acontecer e que esta guerra russa na Europa não seja eclipsada pela guerra no Irão", defendeu o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nas redes sociais.
Zelensky também considerou "vital que a pressão sobre a Rússia em relação a esta guerra não seja interrompida por um único dia que seja: não deve haver qualquer pausa nas sanções contra a Rússia por cada um destes ataques".
Reunidos em Chipre, os líderes europeus aprovaram na quinta-feira um 20.º pacote de sanções à Rússia, visando o setor bancário e acrescentando novas restrições às exportações de petróleo russo.
Após meses de bloqueio da Hungria, aprovaram também um empréstimo fundamental de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, destinado a reforçar as suas defesas e a cobrir as despesas do Estado no período de 2026-2027.
Na Ucrânia, têm sido mortos civis quase diariamente por ataques aéreos russos desde o início da invasão russa em grande escala do país, a 24 de fevereiro de 2022.
Em retaliação, Kiev tem atacado território russo ou ocupado pela Rússia, causando também baixas civis.
Na região de Lugansk, ocupada pelas forças de Moscovo, o líder local Leonid Pasechnik informou que três pessoas foram mortas e outras duas ficaram feridas em ataques de 'drones' ucranianos que atingiram habitações na noite de sexta-feira e madrugada de hoje.
Por seu lado, a Roménia anunciou que um 'drone' russo se despenhou hoje no seu território, perto da fronteira com a Ucrânia, o que levou à retirada do local de mais de 200 habitantes.
A ministra dos Negócios Estrangeiros romena, Oana Toiu, convocou o embaixador da Rússia em Bucareste por causa do incidente.