PCP enaltece apelo ao compromisso e afirma que Portugal "tem voz própria"
O secretário-geral do PCP elogiou o apelo ao compromisso feito pelo Presidente da República nas comemorações do 10 de Junho e alertou que Portugal, apesar de ter "responsabilidades internacionais", tem "uma voz própria".
Em declarações à margem de uma visita à Feira Nacional de Agricultura (FNA), em Santarém, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, enalteceu a escolha da ilha Terceira como palco das comemorações do 10 de junho deste ano, considerando que é importante, por um lado, "valorizar o papel das autonomias" e, por outro, "relembrar a alguns de que também os Açores, também a ilha Terceira e as Lajes são território nacional".
O líder do PCP enalteceu ainda o "apelo ao compromisso" feito pelo Presidente da República, António José Seguro, salientando que o partido está disponível para "esse compromisso pelos direitos", nomeadamente ao nível dos salários, do Serviço Nacional de Saúde, da habitação ou das creches, enumerou.
Paulo Raimundo voltou ainda a referir-se à proposta de lei de alteração ao Código do Trabalho, que será discutida no dia 18 de junho, na generalidade, no parlamento, prometendo, numa crítica indireta ao Governo, enfrentar todos aqueles que falam muitas vezes em compromissos (...) e em apelos globais, mas estão ao serviço apenas de uma pequena minoria".
"O nosso compromisso é com a maioria", vincou.
Questionado sobre o facto de o Chefe de Estado ter insistido que a "autonomia estratégica europeia" é conciliável com a "defesa transatlântica", o secretário-geral do PCP sinalizou que "o caminho do país é não só o da paz, da cooperação e da solidariedade, mas também de fazer tudo o que está ao seu alcance para que isso seja o caminho dos outros".
"E portanto, eu acho que o fato do sr. Presidente ter escolhido aquele sítio em concreto, mesmo sem o ter eventualmente referido no seu discurso, acho que é um sinal que dá, e é um sinal positivo", acrescentou, numa referência à escolha de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde está situada a Base das Lajes, para a sua primeira cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal enquanto Chefe de Estado.
Paulo Raimundo salientou que, apesar de Portugal ter "responsabilidades internacionais" por estar inserido num mundo global e por pertencer à União Europeia, "tem uma voz própria".
"Portugal tem uma palavra própria sobre os acontecimentos e sobre os desenvolvimentos, e tem uma coisa para cumprir que se chama a Constituição da República Portuguesa. E isso é que deve ser aquilo que no fundamental deve gerar a nossa atuação pública, nacional e internacional", rematou, lamentando que o Presidente da República não o tenha "afirmado de forma clara".