DNOTICIAS.PT
Mundo

Cinco presos mortos durante uma rixa numa cadeia venezuelana

None

As autoridades venezuelanas confirmaram hoje que cinco presos morreram na segunda-feira durante uma rixa, na prisão de Yare III, em Miranda, a 71 quilómetros a sul de Caracas.

"Na segunda-feira, 20 de abril de 2026, ocorreu uma rixa entre reclusos, que degenerou num motim no Centro Prisional da Região Capital Yare III, um estabelecimento de segurança máxima destinado à detenção de líderes de grupos criminosos e membros de grupos criminosos", explica um comunicado do Ministério de Serviço Penitenciário (Prisional).

A confirmação tem lugar depois de dezenas de pessoas se concentrarem, hoje, junto daquele cárcere para exigir que informações sobre os seus familiares presos e a identificação dos mortos.

Aos jornalistas, os familiares dos presos, pediram a destituição do ministro do Serviço Penitenciário, Júlio García Zerpa, a quem acusam de fazer transferências como modo de castigar alguns dos detidos.

Os familiares denunciaram ainda que na segunda-feira as autoridades daquele estabelecimento suspenderam as visitas aos presos.

Segundo o comunicado, os presos falecidos foram identificados como Keivin Eduardo Matamoros, Eliecer José Córdoba García, Erkin Josué Ramos Flores, José Pascual Andrade Aguilar e Jean Carlos Jiménez Barrios.

"O Ministério Público iniciou uma investigação com o objetivo de determinar as circunstâncias exatas do ocorrido", explica ainda o documento.

O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) denunciou, na segunda-feira, que em menos de 24 horas morreram, devido a paragens respiratórias, dois presos, Deivi Enrique García e Ovídio José Madriz Mendoza, que se encontram em El Rodeo, um complexo penitenciário de vários edifícios, situado a leste de Caracas.

"Duas mortes no mesmo complexo prisional, em menos de 24 horas, não podem ser considerados asos isolados, mas sim como parte de um padrão sistemático de negligência", denunciou o observatório.

O Rodeo vem assim juntar-se "a um sistema prisional marcado pela superlotação extrema, onde os reclusos sobrevivem em condições insalubres, sem acesso regular a água potável nem alimentação adequada, com assistência médica inexistente ou tardia, e expostos a doenças que se propagam sem controlo", lê-se na nota.

Segundo o OVP, "a isto somam-se denúncias constantes de maus-tratos, negligência, castigos arbitrários, violações do direito ao devido processo legal e severas restrições ao contacto com os familiares, o que agrava o abandono e a vulnerabilidade dentro dos centros de detenção".

Segundo dados da organização não governamental Justiça, Encontro e Perdão, na Venezuela estão detidas 674 pessoas por motivos políticos.

Dos detidos, 583 são homens e 91 são mulheres, incluindo 28 estrangeiros e 30 venezuelanos com dupla nacionalidade.

Entre os estrangeiros encontram-se seis cidadãos portugueses cujos nomes foram entregues às autoridades venezuelanas no âmbito das visitas recentes à Venezuela do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e do líder do Partido Socialista de Portugal, José Luís Carneiro.

Durante as visitas, em contactos com as autoridades locais, ambos sublinharam o interesse de Portugal em que os presos políticos portugueses sejam libertados.