Casa de abrigo da Ribeira Brava acolheu 280 mulheres em 20 anos
A casa de abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica do Centro Social e Paroquial de São Bento, na Ribeira Brava, já acolheu cerca de 280 mulheres, acompanhadas pelos respetivos filhos, ao longo de duas décadas de funcionamento.
A data foi assinalada numa cerimónia que destacou o papel desta resposta social. “Mais do que celebrar, trata-se de reconhecer e agradecer o trabalho desenvolvido ao longo de 20 anos por um parceiro fundamental na protecção das vítimas de violência doméstica e das suas crianças”, afirmou Nivalda Gonçalves, presidente do Instituto de Segurança Social da Madeira.
A responsável sublinhou que esta estrutura “é um lugar seguro que as senhoras tanto precisam”, sendo dedicada exclusivamente a mulheres.
No conjunto das três casas de abrigo existentes na Região, foram acolhidas 57 mulheres e 57 crianças em 2024. Já em 2025, registou-se uma ligeira diminuição, com 37 mulheres e 41 filhos apoiados. “Há situações em que a permanência é mais prolongada e outras em que é mais curta, consoante a realidade de cada caso e as medidas de proteção aplicadas”, explicou.
Actualmente, a Região dispõe de três casas de abrigo, em parceria com o Centro Social e Paroquial de São Bento, o Centro Social e Paroquial de Santo António e a Associação Presença Feminina, sendo o financiamento assegurado pela Segurança Social.
A presidente do instituto destacou ainda a criação de um apoio financeiro para facilitar a autonomia das vítimas após a saída destas estruturas. “Financiamos a transição para o mercado de arrendamento, garantindo condições para uma vida independente, depois de assegurada a proteção necessária”, referiu.
Apesar da resposta existente, admitiu a necessidade de reforço. “Queremos avançar com casas de emergência para dar resposta imediata a situações críticas e criar também respostas para o sexo masculino, que ainda não existem”, disse.
Nivalda Gonçalves defendeu que o investimento nesta área é essencial. “O principal é proteger e recuperar dos traumas vividos, evitando impactos prolongados na saúde mental e física. Oxalá mais pessoas tivessem coragem de procurar ajuda”, concluiu.