Iémen diz que apoio do Irão aos houthis ameaça transporte marítimo
O Presidente do Iémen, Rashad al Alimi, alertou ontem que o apoio iraniano aos rebeldes houthis pode representar uma ameaça ao transporte marítimo internacional, num momento em que cresce a tensão no Estreito de Ormuz.
Segundo a agência noticiosa estatal iemenita Saba, citada pela congénere espeanhola, EFE, Al Alimi afirmou que o apoio de Teerão aos houthis pode desestabilizar a região e comprometer as rotas comerciais mundiais.
Durante uma reunião em Riade com a embaixadora francesa no Iémen, Catherine Corm-Kammoun, o Presidente do Iémen alertou para o "projeto destrutivo" do Irão de utilizar grupos armados aliados para ameaçar rotas marítimas essenciais e cadeias de abastecimento internacionais.
As suas declarações surgem num momento em que se intensificam as preocupações com a segurança marítima em todo o Médio Oriente, com o Irão a impor o encerramento do estreito de Ormuz, uma rota vital para o trânsito de petróleo, enquanto aumentam as tensões em torno do estreito de Bab el Mandeb.
O estreito de Bab el Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e serve de porta de entrada para o Canal do Suez, permanece tecnicamente aberto, mas sob uma ameaça crescente.
Recentemente, as autoridades iranianas têm emitido avisos cada vez mais explícitos de que o estreito poderá ser fechado pelas autoridades alinhadas com o Irão em Sana, o que levanta a possibilidade de uma dupla interrupção do transporte marítimo mundial entre a Ásia e a Europa.
Através desta passagem marítima é gerida uma parte significativa do tráfego mundial de petróleo e contentores, e qualquer encerramento obrigaria os navios a desviar-se contornando o Cabo da Boa Esperança em África, o que acrescentaria tempo e custos ao comércio internacional.
Os riscos de segurança na zona também aumentaram. Nos últimos anos, os houthis demonstraram capacidades que incluem mísseis antinavio, drones e ataques navais, o que levou as missões navais ocidentais a manter níveis elevados de alerta no Mar Vermelho.
Al Alimi solicitou também sanções mais severas contra as redes acusadas de financiar e armar o grupo, e saudou uma recente intervenção francesa perante o Conselho de Segurança da ONU que, afirmou, responsabilizava os houthis pelas ameaças aos corredores marítimos.
O conflito no Iémen começou em 2014, quando as forças houthis tomaram a capital, Sana, o que desencadeou uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita no ano seguinte.
Desde então, a guerra tem gerado uma das piores crises humanitárias do mundo.
Al Alimi reiterou que qualquer paz duradoura exigiria a implementação de resoluções internacionais, incluindo a Resolução 2216 do Conselho de Segurança da ONU, que estipula um embargo seletivo de armas e o restabelecimento da autoridade estatal.