Risco de pobreza atinge 4 em cada 10 desempregados na Madeira
Mas são os únicos com percentagem abaixo da média nacional, comparado aos reformados que ficam acima e dos trabalhadores com média aproximada
Na divulgação de novos dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) referentes aos anos de 2023 e 2024, que incidem sobre a caracterização do risco de pobreza da população com 18 e mais anos de idade, desagregada segundo a condição perante o trabalho, a duração do desemprego e o nível de escolaridade completo, conclui-se que os desempregados são os mais afectados (4 em cada 10), mas também são os únicos que têm a taxa abaixo da média nacional, sendo que nesse particular, os empregados são os menos afectados (menos de 1 em cada 10) e os reformados logo a seguir (quase 2 em cada 10) que estão nessa condição, embora este último grupo seja o que mais e distancia da média nacional.
Os indicadores revelados hoje pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) "foram construídos com base no rendimento monetário anual líquido, excluindo-se outras fontes de rendimento, nomeadamente o salário em géneros, o autoconsumo, o autoabastecimento e a autolocação", explica a DREM que, revela, ainda que as mulheres são mais afectadas que os homens, embora ambos os géneros abaixo da média nacional, e 20% (e em cada 10) dos cidadãos com idade igual ou superior aos 65 anos têm risco de pobreza superior à das restantes faixas etárias e bem acima da média nacional.
"Os resultados do ICOR indicam que, em 2024, na Região Autónoma da Madeira (RAM), tendo por referência a linha de pobreza nacional fixada naquele ano em 8.679 euros, a taxa de risco de pobreza após transferências sociais se situou em 16,6%, valor superior ao observado a nível nacional (15,4%). Apesar disso, registou‑se, face a 2023, uma redução mais acentuada deste indicador na Região (-2,5 pontos percentuais – p.p.), comparativamente à diminuição verificada no País (-1,2 p.p.). Note-se que a média do rendimento monetário líquido por adulto equivalente registou um aumento de 12,8% na Região, passando de 14.233 euros em 2023 para 16.051 euros em 2024", começa por frisar a DREM.
Homens vs mulheres
E continua: "Na RAM, a taxa de risco de pobreza foi ligeiramente inferior entre os homens (16,5%) em comparação com as mulheres (16,8%), correspondendo a uma diferença de 0,3 p.p., menos expressiva do que a observada a nível nacional (14,5% nos homens e 16,3% nas mulheres)."
Por faixa etária
No ano em análise, "a taxa de risco de pobreza foi mais baixa nas pessoas entre os 18 e os 64 anos, tanto na Região como no País, situando-se em 15,3% e 13,9%, respetivamente. Seguiu-se o grupo dos menores de 18 anos, com taxas de 17,4% na Região e 17,6% no País, sendo este o único grupo etário em que o valor regional foi inferior ao nacional", destaca. "Por sua vez, a população com 65 ou mais anos registou taxas de 20,3% na Região e de 17,8% no País. Em ambas as regiões, este foi o grupo etário que evidenciou o maior decréscimo face ao ano anterior, tendo diminuído 2,5 p.p. na RAM e 3,3 p.p. no País", salienta positivamente.
Quanto mais tempo desempregado pior fica
Por outro lado, "considerando a condição perante o trabalho dos indivíduos com 18 e mais anos de idade, a taxa de risco de pobreza da população desempregada na RAM diminuiu de 45,6% em 2023 para 40,1% em 2024, correspondendo a um decréscimo de 5,5 p.p.", diz a DREM. "A nível nacional, a redução foi menos expressiva (-1,7 p.p.), tendo a taxa atingido 42,6% em 2024. Segundo a duração do desemprego, na RAM, o grupo com duração inferior a um mês ('0 meses') apresentou, em 2024, uma taxa de risco de pobreza de 14,3%, inferior em 2,1 p.p. à registada em 2023. No grupo com duração de desemprego '12 meses', a taxa situou‑se em 42,9%, correspondendo a um decréscimo de 6,6 p.p. face ao ano anterior", não sendo pois novidade que quanto mais tempo desempregado, pior fica a condição financeira e o risco de pobreza.
Emprego melhora condição, reforma piora
"Relativamente à população empregada, a taxa de risco de pobreza na RAM foi de 8,9% na RAM, traduzindo uma diminuição de 1,4 p.p. face a 2023. A nível nacional, a taxa passou de 9,2% em 2023 para 8,6% em 2024, correspondendo a uma redução de 0,6 p.p.", mas "no caso da população reformada, a taxa de risco de pobreza na RAM manteve‑se superior à observada a nível nacional (16,4%), situando‑se, em 2024, nos 18,9%. Em termos homólogos, registou‑se um decréscimo de 2,0 p.p. na Região e de 3,2 p.p. no País", frisa.
Melhoria até nos inactivos
Os dados mostram que "o risco de pobreza da população residente na RAM em situação de inatividade distinta da reforma situou-se em 31,9%, em 2024, diminuindo 3,4 p.p. em comparação ao ano anterior. No conjunto do país, este indicador manteve‑se inalterado, em 30,4%".
Quanto mais instruído melhor
Outro dado que não constitui surpresa é que quanto maior a escolaridade menos risco de probreza. "Em 2024, observou‑se uma menor taxa de risco de pobreza na RAM entre os indivíduos com ensino secundário ou superior (9,8%), face aos indivíduos com escolaridade até ao ensino básico (22,4%), o que traduz uma diferença de 12,6 p.p.", explica. "A nível nacional, o grupo com escolaridade até ao ensino básico apresentou uma taxa de 21,3%, inferior em 1,1 p.p. à registada na RAM", aponta.
Desemprego e inactividade aproxima da pobreza
Por fim, "a taxa de intensidade da pobreza", que "indica o afastamento do rendimento monetário disponível mediano da população em risco de pobreza face ao respetivo limiar", em 2024 "continuou a apresentar diferenças relevantes na RAM, segundo a condição perante o trabalho", assegura. "A população reformada registou o valor mais baixo (18,5%), embora refletindo um ligeiro aumento face a 2023 (+0,7 p.p.). Em contraste, a população desempregada apresentou a taxa de intensidade da pobreza mais elevada (34,9%), traduzindo um agravamento de 3,7 p.p. relativamente ao ano anterior. O grupo dos 'Outros inativos' situou‑se em 28,2%, destacando‑se pela maior variação homóloga (+6,0 p.p.). Na população empregada, a taxa de intensidade da pobreza foi de 23,4%, registando igualmente um aumento face a 2023 (+2,4 p.p.)", conclui a autoridade estatística regional.