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Guerra no Irão País

TAP mais exposta à subida do preço do combustível do que congéneres europeias

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A TAP está mais exposta à subida do combustível do que várias congéneres europeias, com uma cobertura média de 40% para 2026, abaixo da observada em grupos como Air France-KLM, Lufthansa e IAG, segundo uma análise enviada à Lusa.

De acordo com os dados do analista financeiro Nuno Esteves, a Air France-KLM surge com uma cobertura de combustível próxima de 85% para os próximos 12 meses, a Ryanair com 84%, a Lufthansa com cerca de 76%, a easyJet com uma média anual entre 65% e 70% e a IAG com 62%, o que deixa a transportadora portuguesa mais exposta à volatilidade do preço do jet fuel.

Essa vulnerabilidade ganha relevo num contexto de tensão geopolítica no Médio Oriente, que voltou a pressionar os mercados energéticos, a aumentar a incerteza no setor e a alimentar, na Europa, receios não apenas quanto ao impacto nos preços, mas também quanto ao risco de escassez de combustível para a aviação, caso persistam as perturbações nas rotas de fornecimento.

Entretanto, na sexta-feira, o Irão anunciou a abertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo em vigor, mas a evolução do conflito e da circulação marítima continua dependente do quadro geopolítico nas próximas semanas.

Segundo Nuno Esteves, a situação no Médio Oriente tem impactos diretos e indiretos sobre os principais vetores de desempenho das companhias aéreas, a começar pelo preço do combustível de aviação.

No caso da TAP, o 'jet fuel' foi em 2025 a principal rubrica de custos operacionais, representando 24% dos custos operacionais, totalizando 990 milhões de euros, menos 56 milhões de euros do que em 2024. "Uma tendência que será invertida expressivamente em 2026", aponta.

A mesma análise indica que o preço médio do combustível de aviação passou de 702,35 dólares por tonelada em 2025 para 1.371,77 dólares até 06 de abril de 2026, refletindo um aumento médio de 30% face ao período homólogo.

"Esta vulnerabilidade é agravada pela menor cobertura de risco ('hedging') face aos concorrentes europeus, tornando a TAP mais exposta à volatilidade dos mercados energéticos", refere.

Segundo o especialista, "cada subida de 10% no preço do 'jet fuel' em 2026 traduzir-se-á num acréscimo de aproximadamente 59,4 milhões de euros nos custos anuais da TAP", com um impacto negativo de 1,2 pontos percentuais na margem operacional.

De acordo com a mesma análise do analista especializado no setor, o resultado operacional da companhia ascendeu a 334 milhões de euros em 2024 e a 243 milhões em 2025, valores que "poderão ser rapidamente erodidos por uma subida acentuada do preço do 'jet fuel', com potenciais reflexos no aumento das tarifas e na retração da procura, num contexto em que a TAP apresenta uma exposição elevada ao segmento de lazer, mais sensível ao preço".

Além do efeito sobre custos, Nuno Esteves sublinha que a instabilidade no Médio Oriente também tem implicações operacionais, nomeadamente através do encerramento parcial do espaço aéreo, do desvio de rotas e do aumento dos tempos de voo em ligações entre a Europa e a Ásia, o que implica custos adicionais com combustível, tripulações e manutenção.

Em 2025, a TAP registou um resultado líquido de 46,1 milhões de euros, excluindo um impacto extraordinário de 42 milhões relacionado com IRC, ou 4,1 milhões de euros em termos reportados, assegurando o quarto ano consecutivo de lucros.