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Incêndios Madeira

Gado ajuda a limpar faixas corta-fogo no Monte

Cerca de 300 cabeças de gado integram intervenção em 66,5 hectares

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“O gado traz um grande contributo, que é limpar as infestantes.” Foi assim que o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, sintetizou a estratégia de utilização de pastoreio controlado na manutenção das faixas corta-fogo, durante a visita realizada esta tarde ao Montado dos Louros, no Sítio da Ribeira das Cales, no Monte.

A intervenção decorre numa área de 66,5 hectares, integrada na faixa corta-fogo do Caminho dos Pretos, e é executada no âmbito do PRODERAM2020, através das submedidas 8.1 (florestação e criação de zonas arborizadas) e 8.3 (apoio à prevenção da floresta contra incêndios).

Segundo o governante, já foi concluída a intervenção na zona norte da faixa, numa área de cerca de 66 hectares, que foi vedada e limpa, tendo sido introduzidas cerca de 300 cabeças de gado, maioritariamente ovelhas, para assegurar o controlo da vegetação.

Miguel Albuquerque destacou que o rápido crescimento das infestantes constitui uma das principais dificuldades na manutenção destas áreas, defendendo que o recurso ao gado permite complementar os trabalhos de limpeza.

O projecto resulta de uma articulação entre entidades públicas e privadas — uma vez que tanto os terrenos como os animais são privados —, com o objectivo de reduzir o risco de incêndios florestais, sobretudo durante o Verão, e reforçar a segurança da cidade do Funchal.

O presidente do Executivo sublinhou ainda que a presença de gado nas serras “nunca esteve em causa”, desde que devidamente ordenada e limitada a áreas circunscritas, como acontece neste caso.

A estratégia deverá ser alargada a outros locais. “Já estamos a fazer noutras zonas, como a norte, nos Barreiros, que em breve será uma realidade”, referiu, acrescentando que o objectivo é preparar o território antes dos picos de calor e vento.

No total, o Governo encomendou cerca de 14 quilómetros de vedação, numa aposta na organização destas áreas e na prevenção estrutural de incêndios.

A intervenção inclui limpeza de matos, controlo de vegetação espontânea, destruição de cepos, plantação de espécies folhosas indígenas, construção de reservatórios e condutas de água, abertura e beneficiação de caminhos florestais, criação de aceiros e realização de podas sanitárias.

Inserida numa faixa com cerca de 648 hectares a montante do Funchal, esta operação visa criar uma zona tampão de baixa combustibilidade, reduzir a vulnerabilidade das populações e reforçar os meios de combate, através da melhoria dos acessos e da disponibilidade de água para os bombeiros.