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Guterres viaja para Turquia para assinalar Ramadão e terá encontro com Erdogan

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O secretário-geral da ONU viaja hoje à noite para a Turquia a propósito das celebrações do Ramadão e, durante a deslocação, irá encontrar-se com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou o porta-voz de António Guterres.

"Todos os anos, o secretário-geral realiza uma visita de solidariedade durante o Ramadão. Este ano, viajará até à Turquia, à capital Ancara, para homenagear a extraordinária generosidade do povo turco", disse hoje Stéphane Dujarric, numa conferência de imprensa em Nova Iorque.

Ao longo de muitos anos, durante o seu mandato como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados e, mais tarde, como secretário-geral, António Guterres testemunhou a Turquia a abrir as suas portas a comunidades e a milhões de pessoas forçadas a fugir da violência e da perseguição, segundo destacou o porta-voz.

Nesta viagem, Guterres irá reunir-se com representantes de organizações não-governamentais que trabalham para apoiar os refugiados na Turquia.

De acordo com a ONU, a Turquia acolhe uma das maiores populações de refugiados do mundo, com quase 2,5 milhões de refugiados e requerentes de asilo, incluindo mais de 2,3 milhões de sírios.

Durante esta deslocação à Turquia, o secretário-geral receberá o Prémio Internacional da Paz Ataturk, uma condecoração estatal que Guterres aceitará em nome do pessoal da ONU em todo o mundo, disse Dujarric, na mesma conferência de imprensa.

"Este reconhecimento, como sabem, e como bem podem imaginar, ocorre num momento de imenso sofrimento em todo o mundo. A crise em curso no Médio Oriente é disso um exemplo trágico", declarou ainda o porta-voz de Guterres. 

Ainda durante a visita, o líder da ONU tem agendadas reuniões com o Presidente Erdogan e com o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan.

Dujarric não avançou a data do fim da viagem.

O destino que António Guterres escolheu no ano passado, a propósito das celebrações do Ramadão, foi o Bangladesh, onde se reuniu com refugiados da minoria muçulmana rohingya.

No mês passado, o chefe das Nações Unidas assinalou o início do mês do Ramadão com um apelo à superação de divisões e ao reforço da ajuda humanitária, destacando os conflitos no Afeganistão, no Iémen, em Gaza e no Sudão.

O antigo primeiro-ministro português defendeu que a mensagem do Ramadão deve servir como guia num contexto internacional marcado por dificuldades e divisões.

"Nestes tempos difíceis e de divisão, atentemos para a mensagem duradoura do Ramadão, para superar as divisões, levar ajuda e esperança àqueles que estão a sofrer e para salvaguardar os direitos e a dignidade de cada pessoa", afirmou na ocasião.

Milhares de milhões de muçulmanos em todo o mundo iniciam em fevereiro o Ramadão, o seu mês sagrado de jejum.

O jejum no nono mês do calendário muçulmano, baseado no ciclo lunar, é considerado um dos cinco pilares do Islão.

De acordo com a tradição islâmica, foi neste mês que Deus revelou o livro sagrado desta religião, o Corão, ao profeta Maomé.