Pelo menos 53 desalojados desde 27 de Janeiro devido ao mau tempo
Lurdes Moio mostra observa os terrenos adjacentes à sua casa em Montemor-o-Velho, cujo piso inferior já se encontra inundado devido à subida das águas do Rio Mondego. , Foto MIGUEL A. LOPES/LUSA
Pelo menos 53 pessoas ficaram desalojadas e outras 132 foram retiradas preventivamente das suas casas desde 27 de janeiro, devido ao mau tempo, anunciou hoje a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Os números de desalojados dizem respeito à passagem da depressão Kristin e da depressão Leonardo e as 132 pessoas retiradas de forma preventiva são utentes de um lar em Coruche.
Em conferência de imprensa na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras, o comandante nacional da ANEPC, Mário Silvestre, confirmou ainda a morte de um homem de 60 anos em Serpa, no distrito de Beja, cuja viatura foi arrastada pelas águas.
Esta morte tinha sido anteriormente avançada por fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Baixo Alentejo, referindo que a vítima tinha cerca de 70 anos.
A Proteção Civil disse ainda que, entre as 16:00 e as 18:00 de hoje, registou 4.013 ocorrências, a maioria das quais quedas de árvores e inundações.
Estiveram envolvidos nas operações de proteção e socorro à população afetada pela depressão Kristin, entre as 16:00 de domingo e as 18:00 de hoje, 13.943 operacionais apoiados por 5.564 meios terrestres.
Relativamente aos efeitos da depressão Leonardo, que vai atravessar o continente esta noite e na próxima madrugada, com chuva persistente e por vezes forte, a ANEPC informou que existe um elevado risco da ocorrência de inundações significativas nas zonas próximas dos rios Vouga, Mondego, Tejo, Sorraia e Águeda.
Existe ainda um alerta para o elevado risco de inundação devido à subida do caudal dos rios Douro, Cávado, Ave, Lima, Tâmega, Lis e Sado.
O comandante Mário Silvestre adiantou que a Proteção Civil tem trabalhado com a Associação Portuguesa do Ambiente (APA) para acompanhar a situação em Espanha, que também tem sido afetado por chuvas.
"A barragem da Alcântara, em Espanha, que tem influência direta no Tejo, está, neste momento, com uma cota de aproximadamente entre os 92% e os 93%. Isto quer dizer que poderemos ter aqui a necessidade de acautelar também estas populações ribeirinhas na zona do Tejo, porque se a barragem espanhola fizer descargas mais significativas iremos ter cheias grandes na zona do Tejo", disse.
"O Mondego tem exatamente o mesmo problema, é a mesma coisa e o Douro igual", adiantou Mário Silvestre, recomendando a todas as populações que vivem nas áreas ribeirinhas que "tomem todas as precauções necessárias para evitar que possam ser atingidas".
Por isso, aconselhou as populações a "tamponar portas e janelas, colocar sacos de areia na zona das portas para evitar a inundação das casas".
Além da desobstrução dos sistemas de escoamento de águas pluviais, a ANEPC recomendou ainda os cidadãos a evitar a permanência em áreas arborizadas, a não circularem em zonas ribeirinhas vulneráveis a galgamentos costeiros e a não estacionarem os carros em leitos de cheias, nem atravessar zonas inundadas.
O comandante informou ainda que, neste momento, estão ativos cinco planos distritais de emergência - em Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Leiria e Lisboa - e 79 planos municipais.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.