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Madeira

Faleceu o padre Pedro Fernandes, natural da Camacha

Foto DR
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Faleceu ontem o padre Pedro Fernandes, natural da Camacha, que exercia funções em duas paróquias de Alenquer, no continente português.

A notícia foi dada pela Junta de Freguesia da Camacha, que manifesta o seu "profundo pesar" de um filho da terra, que "nos últimos anos foi pároco na Paróquia de Meca e de Cabanas de Torres, em Alenquer", escreve a nota do presidente da Junta, Ricardo Baptista.

"Uma pessoa com quem tive a honra e o gosto de privar e que sempre transmitiu uma mensagem de força para encarar qualquer desafio nas várias visitas que fazia à nossa Vila da Camacha, Madeira durante o ano", conta. "Em meu nome e do Executivo da Junta de Freguesia, as nossas mais sentidas condolências a toda a família com um grande abraço de solidariedade", acrescenta.

Entretanto o Jornal da Madeira, pertencente à Diocese do Funchal, também dera conta ontem do falecimento do padre Pedro, contando num breve texto a passagem deste pároco, desde o nascimento pelo sacerdócio. Numa nota posterior é anunciado que o funeral que está marcado para amanhã, quinta-feira, 5 de Fevereiro, pelas 11 horas, no Mosteiro dos Crúzios, no Sameiro, em Braga.

Breve nota biográfica publicada no Jornal da Madeira

"Faleceu o padre Pedro de Gouveia Fernandes, sacerdote da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz (ORC), conhecidos como crúzios, natural da Camacha. A notícia do seu falecimento foi confirmada ao 'Jornal da Madeira' pelo padre Pedro Nóbrega, pároco de Câmara de Lobos e da Quinta Grande, também natural da Camacha.

Nascido a 15 de março de 1950, Pedro de Gouveia Fernandes ingressou na vida religiosa já em idade adulta. Entrou no seminário em 1979, no Sameiro, em Braga, na Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz, tendo realizado o curso de liceu naquela cidade. A sua formação filosófica e teológica decorreu no Instituto de Sapiência da Ordem de Santa Cruz, em Anápolis, no estado de Goiás, no Brasil.

Foi ordenado presbítero a 1 de abril de 1989, na Sé do Funchal, por D. Teodoro Faria, tendo celebrado a Missa Nova no dia 9 de abril desse mesmo ano, na igreja paroquial da Camacha, sua terra natal.

Ao longo do seu ministério sacerdotal, desempenhou diversas funções pastorais, tendo sido coadjutor na paróquia de Machico, responsável pela Casa de Nossa Senhora da Piedade da Ordem dos Crúzios, no Caniçal, administrador paroquial em Água de Pena e pároco no Alentejo. Posteriormente, ao serviço do Patriarcado de Lisboa, ficou especialmente ligado às paróquias de Meca e de Cabanas de Torres, no concelho de Alenquer, onde foi pároco durante 27 anos, tornando-se uma figura de referência para aquelas comunidades.

Em julho de 2025 foi oficialmente dispensado dos ofícios de pároco de Meca e de Cabanas de Torres, por motivo de doença.

A sua vocação sacerdotal, embora sentida desde a infância, conheceu um percurso amadurecido ao longo da vida. Em entrevista publicada em 2013, o padre Pedro de Gouveia Fernandes recordava que, ainda criança, “as minhas brincadeiras, antes de ir para a escola primária, eram celebrar missas e fazer procissões', mas recusou inicialmente a ida para o seminário por forte ligação à família, sendo o mais novo de doze irmãos (Revista Mais, Diário de Notícias, 8.9.2013).

O cumprimento do serviço militar, incluindo a participação na guerra da Guiné, marcou profundamente o seu discernimento vocacional. 'Hoje dou graças a Deus por ter ido à guerra, e ter voltado da guerra, pois agora não tenho nenhuma sombra de dúvida que a minha vocação é esta. Foi Deus que me chamou', afirmava. Após esse período, trabalhou nos CTT, sem nunca abandonar a esperança de seguir o caminho sacerdotal, vindo a ingressar na Ordem dos Cónegos Regrantes da Santa Cruz já em idade adulta, onde encontrou resposta definitiva à sua vocação.

Já como sacerdote, afirmava viver o ministério com serenidade e alegria, dizendo aos seus paroquianos que não se sentia frustrado e que continuava a admirar 'o que Deus faz com a pobre criatura que sou eu', assumindo o serviço à Igreja e ao povo de Deus como o eixo permanente da sua vida sacerdotal."