Tecnologia exige educação, não proibição
Elsa Fernandes defende equilíbrio no uso do smartphone entre jovens no X Simpósio da ESS-UMa
A secretária regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, defendeu esta segunda-feira que o uso do smartphone, da internet e das redes sociais entre crianças e jovens deve ser regulado através da educação, do pensamento crítico e da responsabilidade parental, e não pela proibição generalizada.
A posição foi assumida na sessão de abertura do X Simpósio da Escola Superior de Saúde da Universidade da Madeira (ESS-UMa), subordinado ao tema Promoção de Comportamentos Saudáveis nos Jovens – Uso do Smartphone e Internet, que reuniu investigadores, profissionais de saúde e estudantes para debater os impactos da tecnologia digital na saúde física, mental e emocional.
Na sua intervenção, Elsa Fernandes sublinhou que o smartphone, a internet e a inteligência artificial são hoje instrumentos incontornáveis no quotidiano, no processo educativo e na interacção social, alertando, contudo, para os riscos associados ao seu uso excessivo ou acrítico. “Promover comportamentos saudáveis não significa rejeitar a tecnologia, mas sim educar para o seu uso responsável e informado”, afirmou.
A governante rejeitou a ideia de que a realidade escolar esteja marcada por um isolamento generalizado dos alunos devido ao uso do telemóvel. Com base em observações realizadas durante visitas às escolas da Região Autónoma da Madeira, referiu que as crianças e os jovens continuam a interagir, a conversar e a brincar nos intervalos, muitas vezes utilizando o telemóvel como elemento mediador, e não como factor de afastamento.
“Vejo, maioritariamente, rapazes — e algumas raparigas — a jogar futebol, jovens a conversar entre si, alguns com o telemóvel a mediar, outros sem telemóvel, jovens a jogar ou a fazer trabalhos. Vejo também alguns poucos alunos mais isolados, como sempre existiu”, relatou.
À margem do evento, em declarações aos jornalistas, Elsa Fernandes esclareceu que a utilização das redes sociais por menores de 18 anos depende exclusivamente da autorização dos encarregados de educação, sublinhando que essa responsabilidade não cabe à escola. “A utilização das redes sociais antes dos 18 anos só pode ser feita com autorização dos pais. São os pais que têm de autorizar ou proibir. Se esse trabalho for feito em casa, a escola não tem de agir sobre isso”, afirmou.
A responsável distinguiu ainda o uso das redes sociais do uso do telemóvel em contexto escolar, referindo que a eventual proibição deste último é uma decisão autónoma de cada estabelecimento de ensino. “Há escolas que proíbem o uso do telemóvel na escola. Não estamos a falar das redes sociais, são coisas diferentes, embora uma acabe por complementar a outra”, explicou.
Segundo a governante, o principal desafio reside no equilíbrio entre o potencial educativo da tecnologia e os riscos que esta pode representar para o sono, a concentração, o bem-estar psicológico e as relações interpessoais. Nesse contexto, destacou a importância da literacia digital e da literacia em saúde, defendendo que ambas devem caminhar lado a lado, envolvendo escolas, famílias, profissionais de saúde e a comunidade.
Elsa Fernandes elogiou ainda o trabalho desenvolvido pela Escola Superior de Saúde da Universidade da Madeira na promoção do uso consciente das tecnologias e considerou o simpósio um espaço privilegiado de partilha de conhecimento científico e de reflexão interdisciplinar, contribuindo para a construção de respostas sustentadas e baseadas na evidência científica.