Produtores criticam impasse nas ajudas
À entrada para o salão paroquial da Madalena do Mar, onde decorre uma assembleia de produtores, o presidente da Associação de Agricultores do Oeste da Madeira (ABOM), Luís Rufino Nascimento, deixou críticas à falta de respostas sobre os prejuízos causados pelos temporais de Novembro e Dezembro.
Denunciou que há propriedades destruídas que não estavam cobertas pelo seguro colectivo activado posteriormente, deixando agricultores numa situação de incerteza e com risco de abandono da actividade.
Os produtores aguardam saber qual a metodologia de cálculo das indemnizações e quando serão efectuados os pagamentos, apesar de já ter sido realizado um levantamento por peritos enviados pelo Governo.
Perante o impasse, está a ser ponderada a recolha de assinaturas para um abaixo assinado a exigir esclarecimentos à tutela.
Luís Rufino Nascimento chamou também a atenção para a diferença de rendimentos face a outras regiões produtoras. Referiu que nas Canárias os agricultores receberam durante meses valores superiores a um euro por quilo, enquanto na Madeira o preço médio ronda os 56 cêntimos.
“O fosso é enorme”, afirmou, associando a situação ao aumento dos custos de produção considerando sério risco de abandono da actividade.
O dirigente questionou a gestão da comercialização, apontando que a banana da Madeira é vendida no continente a cerca de 3,19 euros por quilo, defendendo que o valor pago ao produtor deveria aproximar se de um euro, ainda assim não pediu a demissão dos gestores.
O que pretende ainda é a inclusão da banana numa medida de apoio às produções que contempla compensações associadas às vendas e ao transporte, alertando para que transferências para a empresa não sejam confundidas com pagamentos directos aos agricultores.
O presidente da ABOM adiantou que está a finalizar um relatório sobre a fileira da banana com propostas para corrigir disfunções e melhorar o rendimento dos produtores.
A assembleia deverá servir para definir posições e eventuais formas de acção do sector