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A Guerra Mundo

Zelensky condiciona eleições a cessar-fogo e garantias de segurança

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Foto Shutterstock

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, condicionou hoje a realização de eleições no país a um cessar-fogo no conflito com a Rússia e à obtenção de garantias de segurança a Kiev.

"É muito fácil: basta estabelecer um cessar-fogo e haverá eleições", declarou o líder ucraniano durante uma conferência de imprensa 'online', comentando notícias de que Kiev está a planear uma eleição presidencial e um referendo num futuro próximo.

Além da trégua, Volodymyr Zelensky acrescentou que a Ucrânia realizará eleições "quando todas as garantias de segurança necessárias estiverem em vigor", referindo-se a um dos temas principais nas negociações de paz em curso, relacionado com mecanismos de prevenção de uma nova ofensiva russa.

O jornal britânico Financial Times citou hoje autoridades ucranianas e europeias envolvidas no alegado planeamento das eleições presidenciais e de um referendo até 15 de maio, logo após um anúncio de Zelensky de um acordo de paz com Moscovo por ocasião do quarto aniversário da invasão russa, em 24 de fevereiro.

"Provavelmente, ouvi falar disto pela primeira vez através do Financial Times. Agora é a segunda vez que ouço, através de vós", disse o Presidente ucraniano na conferência de imprensa.

O chefe de Estado ucraniano reconheceu que o tema das eleições presidenciais é levantado por alguns dos parceiros de Kiev, sobretudo pelos Estados Unidos, mas que a própria Ucrânia nunca o abordou, apesar de reiterar que o país está pronto para ir a votos, desde que nas condições que apontou.

Zelensky assumiu a presidência em 2019 e o seu mandato de cinco anos terminou em 20 de maio de 2024, quando foi automaticamente prorrogado, uma vez que a Constituição proíbe a realização de eleições enquanto a lei marcial estiver em vigor.

O Presidente ucraniano negou ainda que os Estados Unidos tenham ameaçado não assinar um documento que contemple garantias de segurança sem a realização de eleições.

"Não, não estão a ameaçar abandonar as garantias de segurança. Além disso, não estão a condicionar as eleições às garantias de segurança", esclareceu.

A Comissão Eleitoral Central da Ucrânia considera que a realização de eleições ao abrigo da lei marcial é impossível.

No entanto, em dezembro passado, Zelensky pediu aos legisladores que preparassem reformas legais para viabilizar a realização de eleições ao abrigo da lei marcial e disse estar preparado para apoiar uma votação, desde que fosse conduzida num prazo razoável e de forma legítima e segura.

Além dos impedimentos legais, Kiev alega também que uma votação universal é prejudicada pela atual ocupação russa de partes do leste e sul da Ucrânia, além da Península da Crimeia, a que se somam centenas de milhares de militares mobilizados para a guerra, milhões de habitantes que fugiram para o estrangeiro e outros ainda que são deslocados internos.

As garantias de segurança são um dos principais temas nas discussões trilaterais em curso entre os negociadores de Kiev, Moscovo e Washington, juntamente com o futuro dos territórios ucranianos reivindicados pela Rússia.