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Madeira

Filipe Sousa alerta que Madeira não deve ser usada em estratégias geopolíticas externas

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O deputado do JPP, Filipe Sousa, criticou hoje a intenção do PSD de propor a Madeira como “pilar da defesa europeia no Atlântico”, considerando que a iniciativa levanta dúvidas sobre as prioridades reais da Região Autónoma.

PSD vai propor Madeira como “pilar da defesa” europeia no Atlântico

O deputado Bruno Macedo revelou, esta manhã, no plenário, que o grupo parlamentar do PSD vai apresentar em breve um projecto de resolução sobre a posição geoestratégica da Região Autónoma da Madeira, afirmando o nosso arquipélago como “pilar da segurança e defesa da União Europeia no Atlântico. O anúncio foi feito quando o representante social-democrata apresentava outro projecto de resolução do PSD intitulado "40 anos de adesão à União Europeia, 40 anos de desenvolvimento"

Para o parlamentar, citado em comunicado de imprensa, “a Madeira não pode ser transformada numa peça de xadrez num jogo geopolítico internacional cada vez mais instável”.

Filipe Sousa acrescenta que, num contexto global marcado pelo regresso de discursos nacionalistas e imperialistas, "é fundamental proteger a autonomia regional e evitar o alinhamento automático com estratégias externas".

“O que está em causa é saber se estamos a defender os madeirenses ou a posicionar o território como ativo estratégico ao serviço de interesses que não são os nossos”, vincou.

O deputado na Assembleia da República sublinha que a Região não deve ser utilizada como posto avançado em disputas entre potências nem como plataforma simbólica para alimentar ambições partidárias. “A Madeira é uma Região Autónoma com pessoas reais e problemas concretos que continuam por resolver”, frisou.

Entre as prioridades urgentes, Filipe Sousa destaca: a redução dos elevados custos de mobilidade aérea e marítima, a diminuição da dependência estrutural do exterior, o combate às fragilidades económicas e sociais e o reforço dos serviços públicos essenciais.

Segundo o deputado, a política regional deve centrar-se no fortalecimento da autonomia, na coesão social e no desenvolvimento sustentável. “Não precisamos de narrativas grandiosas nem de bandeiras estratégicas que desviem atenções. Precisamos de soluções concretas para os problemas dos madeirenses”, acrescentou.

Filipe Sousa alertou ainda para o risco de que uma maior integração da Madeira numa estratégia de defesa europeia possa abrir espaço à influência externa na definição de prioridades regionais. “A Madeira deve afirmar-se pelos seus direitos constitucionais e pela sua autonomia efectiva, não como extensão de agendas imperiais, sejam elas de Washington, Bruxelas ou qualquer outro centro de poder”, reforçou.

Para o JPP "defender a Madeira significa garantir mobilidade justa, um regime fiscal adequado, investimento produtivo e protecção efectiva dos interesses da população".

“A Madeira não precisa de ser pilar militar de ninguém. Precisa de ser pilar de desenvolvimento, justiça territorial e autonomia real. Essa é a defesa que verdadeiramente importa”, concluiu Filipe Sousa.