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Madeira

Elsa Fernandes considera que Matemática deve chegar a todos os alunos do secundário

Secretária regional de Educação admite mérito na universalização do ensino do pensamento matemático, mas lembra que já existem alternativas curriculares para os alunos que não seguem essa disciplina no ensino secundário

Elsa Fernandes, na entraga de tablets e chromebooks, no início do ano lectivo na Madeira.
Elsa Fernandes, na entraga de tablets e chromebooks, no início do ano lectivo na Madeira., Foto SRE/Arquivo

A secretária regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, considera pertinente que o ensino da Matemática, numa vertente mais aplicada e acessível, possa chegar a todos os alunos do ensino secundário, independentemente da área de formação escolhida. A governante madeirense vê com interesse a intenção do Governo da República de tornar obrigatória a disciplina entre o 10.º e o 12.º ano, embora ressalve que ainda desconhece os moldes concretos em que a medida será implementada.

A posição foi assumida na manhã desta quinta-feira, à margem de uma iniciativa na Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, na Ribeira Brava, onde Elsa Fernandes foi questionada pelos jornalistas sobre a intenção do Governo nacional de alargar a obrigatoriedade da Matemática a todos os cursos do ensino secundário.

A secretária regional começou por recordar que já existem alternativas à Matemática tradicional, designadamente a disciplina de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS), que os alunos podem escolher no 10.º e no 11.º ano. Na sua perspectiva, esta componente curricular apresenta uma abordagem particularmente interessante para os estudantes que não têm uma relação tão próxima com a disciplina.

“A forma de trabalhar a Matemática nesta disciplina é muito interessante e adequada para quem não gosta muito de Matemática”, observou, defendendo que faz sentido que os conteúdos leccionados nesta área possam ser alargados a todos os estudantes do secundário.

Para Elsa Fernandes, o objectivo deverá ser proporcionar aos jovens um contacto com a Matemática que vá além da aprendizagem de fórmulas e conteúdos específicos, promovendo competências transversais. “Que alguma vez na vida aprendam o contacto com a Matemática e aprendam o pensamento matemático, que é muito importante em qualquer situação da nossa vida”, sustentou.

Questionada sobre a possibilidade de a Região Autónoma da Madeira vir também a aplicar a nova medida, a governante afirmou ainda não conhecer os pormenores da proposta, mas deixou claro que a Região acompanha as orientações curriculares nacionais.

“Nós respondemos ao currículo nacional. Portanto, se for exigido, não temos forma de escolher outra forma de fazê-lo”, afirmou, admitindo, assim, que a Madeira terá de acompanhar a alteração caso esta venha a ser aprovada e imposta pelo Ministério da Educação.

A intenção foi anunciada pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, durante a discussão do Orçamento do Estado para 2027, na Assembleia da República. O governante pretende criar um tronco comum que assegure a presença da Matemática entre o 10.º e o 12.º ano, independentemente do curso escolhido pelos alunos, mantendo, contudo, margem para opções diferenciadas nos respectivos percursos formativos.

A nova matriz curricular deverá ser submetida a consulta pública até ao final de 2026, estando a entrada em vigor da reforma prevista para o ano lectivo de 2028/2029.