Flávio Bolsonaro diz que resultado de Lula é "matematicamente impossível"
O candidato presidencial brasileiro derrotado, Flávio Bolsonaro, voltou a questionar esta sexta-feira a legitimidade das eleições, classificando os resultados como "matematicamente impossíveis", e acusando Lula da Silva de ter ganho com "um golo com a mão".
"Há muitas coisas inexplicáveis nestas eleições, que matematicamente é impossível que tenham ocorrido no mundo real, a menos que, como disse, tenha havido algum golo com a mão", afirmou o político de extrema-direita numa transmissão ao vivo nas suas redes sociais.
Sem apresentar provas da alegada fraude na segunda volta das eleições do passado dia 25, que prometeu explicar "muito em breve", Bolsonaro apelou a que o Congresso se tornasse uma "trincheira" a partir da qual se resistisse para "impedir ou retardar o grande caos que o atual Presidente da República vai instaurar".
Segundo o senador de 45 anos, Luiz Inácio Lula da Silva acabará por ser destituído "antes do que muitos imaginam" devido às medidas económicas "radicais" que tomará, entre outros fatores que não especificou.
Bolsonaro avalia o cenário económico atual como "muito pior" do que o vivido durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, que governou o Brasil de 2011 a 2016, quando foi destituída pelo Congresso.
O opositor agradeceu o apoio dos quase sessenta milhões de eleitores que o apoiaram nas urnas e não descartou disputar o poder antes dos prazos constitucionais habituais, aludindo a uma eventual saída antecipada do presidente reeleito.
"Se for necessário, estarei disponível para disputar novamente a Presidência da República. E não estou a falar de 2030, estou a falar de antes disso", afirmou.
Durante o discurso desta sexta-feira, o senador, cujo mandato termina no próximo mês de fevereiro, explicou que abandonou o país rumo aos Estados Unidos, juntamente com a esposa e as duas filhas, depois de ter sido notificado da proibição de viajar para o estrangeiro e da ordem para entregar os passaportes, tanto o diplomático como os comuns, um brasileiro e um italiano.
Segundo o seu relato, a notificação ocorreu na segunda-feira seguinte à votação e no final de uma visita de trinta minutos ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliária por orquestrar uma tentativa de golpe de Estado depois de perder as eleições contra Lula em 2022.
"Olhei para o rosto do meu pai e disse-lhe: 'Começou a perseguição'", afirmou Flávio Bolsonaro.
Por isso, afirmou, fugiu para "continuar, pelo menos, a ter uma voz ativa" a partir do estrangeiro, uma vez que, ainda segundo o ex-candidato, no Brasil vive-se um "regime de exceção", com as instituições "completamente sequestradas".
Lula da Silva foi reeleito com 52% dos votos, contra 48% do candidato do Partido Liberal (PL), uma diferença que se traduziu em mais de quatro milhões de votos.
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), que governará nos próximos quatro anos, liderou uma recuperação histórica, depois de ter ficado atrás do candidato de extrema-direita por dois milhões de votos na primeira volta das eleições.
Flávio Bolsonaro não aceitou a derrota, ao contrário da cúpula do PL e do seu próprio candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, que já o fizeram.
Desde que os resultados foram conhecidos, Bolsonaro pediu a anulação das eleições; depois anunciou que iria denunciar a candidatura de Lula por alegados abusos de poder; e, posteriormente, a partir dos Estados Unidos, divulgou uma carta na qual se autoproclamava o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".
Essa carta, que mais tarde substituiu por uma versão na qual se autodenomina "líder" do Brasil, suscitou a rejeição dos próprios aliados do partido, que afirmaram não conhecer nem aprovar a missiva.