DNOTICIAS.PT
País

Seguro propõe "discussão franca" sobre desafios da CPLP e ação conjunta da CPLP nos oceanos

None
FOTO ESTELA SILVA/LUSA

O Presidente da República propôs ontem uma "discussão franca" entre os membros da CPLP sobre os desafios desta comunidade e disse que "gostaria muito de ver uma ação forte e conjunta" nos oceanos.

António José Seguro, que discursava na abertura de um colóquio sobre os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, apelou, por outro lado, ao empenho de todos no reforço da promoção da língua portuguesa, "internamente e no palco internacional", com a ambição de a tornar língua oficial das Nações Unidas.

No início da sua intervenção, o chefe de Estado afirmou que "o espaço lusófono constitui uma prioridade da política externa portuguesa, que une todos os órgãos de soberania, os vários níveis da administração pública e também a sociedade civil".

"Como sinal do meu empenho neste designo coletivo de aprofundar os laços da lusofonia, a CPLP foi a primeira organização internacional que visitei, após a minha tomada de posse. E foi igualmente um país da CPLP o destino da minha primeira visita de Estado, no passado mês de julho, a Cabo Verde", realçou.

Sobre os 30 anos da CPLP, o Presidente da República considerou que deve ser reconhecido "um balanço positivo", tendo em conta fatores como o crescimento do número de países membros e dos observadores da comunidade, desde a sua fundação, a projeção da língua portuguesa, a cooperação que se desenvolveu em "praticamente todos os setores" e o peso da "voz da lusofonia na cena internacional".

"Juntos somos mais fortes", defendeu.

Depois, o chefe de Estado falou dos desafios que se colocam à CPLP -- numa altura em que a Guiné-Bissau está suspensa da comunidade, na sequência do golpe militar de novembro do ano passado, e foi substituída por Timor-Leste no exercício da presidência temporária da organização.

António José Seguro apelou ao empenho de todos, em primeiro lugar, no reforço da promoção da língua portuguesa, reiterando o objetivo de que seja elevada a língua oficial da Organização das Nações Unidas (ONU).

"[Empenho] no reforço dos valores e dos princípios em que assenta a nossa CPLP e na discussão franca, entre nós, dos desafios com que nos deparamos e das oportunidades que juntos sabemos identificar e promover", acrescentou.

Em terceiro lugar, propôs o "reforço da cooperação em áreas estratégicas para a comunidade, como por exemplo os oceanos" e disse que "gostaria muito de ver uma ação forte e conjunta" da CPLP nesta área, bem como uma "aproximação cada vez mais estreita às novas gerações, que terão a responsabilidade de manter viva a nova CPLP".

O Presidente da República pediu também empenho conjunto "no papel da CPLP como força de diálogo, paz e estabilidade, num mundo cada vez mais instável e nos diversos palcos que se nos oferecem na cena internacional".

Na sua intervenção, António José Seguro nomeou, um por um, os nove países membros da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

"Juntos, somos cerca de 300 milhões de pessoas e mais de 10 milhões de quilómetros quadrados. Juntos, temos mais peso na política e na economia global. Juntos, dispomos de uma presença e de uma rede de influência que se expande por quatro continentes, através das distintas organizações regionais que cada um dos nossos países integra", referiu.

Seguro defendeu que "este é um valioso ativo" no plano global e apontou como exemplo o apoio mútuo a candidaturas a organizações internacionais.

O Presidente agradeceu "o apoio ativo dos parceiros lusófonos" nas respetivas esferas regionais à candidatura de Portugal a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para o biénio 2027-2028.

"A partir de 01 de janeiro, Portugal será, assim, também uma voz da CPLP e dos seus valores em Nova Iorque, onde continuará a pugnar pelo multilateralismo, por uma ordem internacional baseada em regras, pelo respeito dos direitos humanos e pela dignidade humana e pela paz", declarou.