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Madeira

PS desafia Maciel a aceitar proposta sobre a Reserva Agrícola

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O PS-Madeira reagiu, esta terça-feira, às declarações proferidas ontem por Nuno Maciel, no âmbito de um debate sobre o futuro da agricultura madeirense, promovido pela Ordem dos Engenheiros, momento em que defendeu a criação de reservas agrícolas.

Nuno Maciel defende criação de reservas agrícolas para proteger território produtivo

“Não podemos olhar para o território apenas como espaço disponível para construir”, afirma o secretário regional com a pasta da Agricultura

Ricardo Duarte Freitas , 28 Setembro 2026 - 13:10

“É caricato que o secretário da Agricultura venha agora mostrar uma aparente e conveniente preocupação com as ameaças aos solos agrícolas, quando o seu Governo tem sido o principal obstáculo à criação de uma reserva agrícola, para proteger os solos mais férteis da especulação imobiliária”, refere o partido em nota enviada.

Os socialistas, pela voz da deputada Sílvia Silva, acusam Nuno Maciel de vir, de "forma descarada", ‘dar o dito pelo não dito’, "agindo como se o seu Governo não tivesse rejeitado a aplicação da reserva agrícola à Madeira, conforme propôs o PS", refere.

“No que se refere à reserva agrícola, mas não só, Nuno Maciel diz uma coisa e faz outra”, critica a socialista.

O partido dá conta que o titular da pasta da Agricultura afirmou que é importante “criar mecanismos de protecção do território com aptidão agrícola, incluindo a criação das chamadas reservas agrícolas, para garantir que os terrenos produtivos da Madeira não sejam progressivamente desviados para outros usos”. No entanto, esclarece a deputada do PS, em 2025, a Secretaria Regional de Agricultura, já liderada por Nuno Maciel, emitiu um parecer negativo sobre a proposta socialista do “Regime Jurídico da Reserva Agrícola da Região Autónoma da Madeira”, que se propunha travar o declínio da agricultura madeirense e proteger os solos agrícolas, impedindo a sua ocupação e destruição por usos indevidos. A proposta garantia ainda a sustentabilidade da produção alimentar regional e a preservação da paisagem agrícola madeirense, sem descurar os desafios sociais, económicos e ambientais que se colocam actualmente ao desenvolvimento regional, abrindo excepções que permitiam a construção de habitação do agregado agrícola familiar e outras atividades compatíveis com a produção agrícola e pecuária.

Sílvia Silva recorda que, apesar de o Programa Regional de Ordenamento do Território da Região considerar fundamental que o regime transitório da Reserva Agrícola, que vigora desde 2011 na Madeira, seja substituído pelo regime definitivo, de forma a garantir a proteção e a valorização dos solos agrícolas e a sua função produtiva, o parecer da Secretaria Regional da Agricultura foi de que "já estão, para já, definidos quais os solos que constituem a RAN na Região Autónoma da Madeira" e que, "apesar de o Decreto Legislativo Regional em vigor estabelecer um regime transitório, este tem sido suficiente para aplicar na Região o regime jurídico da Reserva Agrícola Nacional". Conforme acrescenta, “a Secretaria de Nuno Maciel defendeu, na altura, que os solos agrícolas já estão salvaguardados através dos Planos Diretores Municipais”.

Saliente-se que a mesma posição foi defendida ontem pelo director regional de Ordenamento do Território, Ilídio Sousa, afirmando que, de alguma forma, os solos agrícolas já estão protegidos através dos instrumentos de ordenamento dos municípios e garantindo que a reserva agrícola já existe na Região. O responsável expôs, contudo, a fragilidade do modelo atual, ao referir que "precisamos de uma boa reserva agrícola" e que para isso falta informação, nomeadamente sobre a aptidão dos solos agrícolas.

“Considerando que a carta de solos da Madeira tem mais de 30 anos e que os nossos solos mais férteis já foram destruídos pela expansão urbana, precisamente devido à ausência de um instrumento que os proteja, quantos anos mais precisamos esperar para reunir a informação em falta?”, questiona Sílvia Silva.

Apesar de todas as entidades ouvidas antes e agora serem unânimes em assumir a importância da reserva agrícola para travar o abandono da atividade e assegurar a resiliência da Região, a deputada questiona quantas querem mesmo emitir contributos e viabilizar a aplicação da reserva agrícola à Madeira.

A parlamentar socialista adianta que, analisando todos os pareceres entretanto emitidos sobre esta matéria e dado que os discursos “soaram em uníssono”, o PS voltará a insistir na proposta de criação da reserva agrícola, acomodando os contributos que justificaram a sua reprovação na Assembleia, a bem da agricultura madeirense e da resiliência da Região. “Veremos se, desta vez, Nuno Maciel será coerente e dará indicações ao PSD e ao CDS para viabilizarem aquilo que agora, convenientemente, diz defender”, desafia Sílvia Silva.