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Exposição de Ricardo Lopes leva a reflectir sobre “o custo do progresso”

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‘Blessed Ground’ é o nome da exposição que o fotógrafo documental e fotojornalista Ricardo Lopes inaugurou, hoje, no Museu da Fotografia, e que pretende ser uma forma de reflectir sobre “o custo do progresso”. A mostra reúne 25 fotografias sobre os impactos sociais, económicos e ambientais da exploração de ouro junto de comunidades rurais de Moçambique.

“O que eu gostava que nós pudéssemos reflectir é qual é o custo do progresso”, afirmou o fotógrafo, referindo-se, nomeadamente, aos processos associados à transição tecnológica e à transição verde, que continuam a gerar uma procura crescente por matérias-primas e podem ter consequências concretas nos territórios onde estas são extraídas.

Segundo Ricardo Lopes, em alguns dos locais que visitou existem empresas internacionais envolvidas na exploração de minérios através de processos pouco transparentes, condicionando o acesso das populações às terras agrícolas e colocando em causa as suas formas de subsistência.

O fotógrafo procura acompanhar o momento em que as comunidades deixam de conseguir manter formas de subsistência que durante gerações estruturaram a sua vida, mostrando um processo de transformação social provocado por forças económicas mais amplas.

Museu conta com nova sala

O Museu de Fotografia da Madeira passa a contar com uma nova sala, inaugurada também hoje. Trata-se de um espaço destino a colocar em destaque peças da colecção do MFM-AV e a proporcionar um contacto mais próximo com objectos representativos da história da fotografia.

A primeira peça apresentada neste espaço é uma máquina fotográfica Xorki 4K, produzida na antiga União Soviética, pertencente à colecção de João Pestana e doada ao Museu de Fotografia da Madeira em 2020.

Na inauguração, o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, destacou a importância de o Museu acolher diferentes linguagens e olhares sobre a fotografia, considerando que essa diversidade deve fazer parte da programação da instituição.

“É importante para o Museu de Fotografia da Madeira poder acolher diferentes linguagens e diferentes olhares sobre a fotografia, porque é também essa diversidade que queremos que esteja presente na sua programação”, afirmou, a capacidade da fotografia para comunicar e, simultaneamente, deixar espaço à interpretação de quem observa.

Eduardo Jesus considerou que é também uma das funções da fotografia e do próprio Museu: “conseguir aproximar-nos de realidades que estão geograficamente distantes e torná-las próximas através do olhar de quem as vive”.