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'Blessed Ground' do fotojornalista Ricardo Lopes para ver no Atelier Vicente’s

Mostra é inaugurada esta quinta-feira, pelas 17 horas

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O Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s, espaço tutelado pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direção Regional da Cultura, inaugura, esta quinta-feira, 8 de Outubro, pelas 17 horas, a exposição 'Blessed Ground', do fotógrafo documental e fotojornalista Ricardo Lopes. 

Composta por 25 fotografias policromadas, a exposição apresenta um trabalho desenvolvido em Moçambique, junto das comunidades rurais que vivem nas margens dos rios Púnguè e Revuè, onde a exploração de ouro tem vindo a provocar profundas transformações na paisagem, na economia local e na vida das populações.

Em nota enviada, a tutela explica que 'Blessed Ground' nasce da "observação de um território marcado pelo avanço da mineração industrial e pelas consequências que esta atividade trouxe às comunidades que tradicionalmente dependiam da agricultura. É neste contexto que Ricardo Lopes constrói uma narrativa fotográfica centrada nas pessoas e no território."

O trabalho aborda igualmente os impactos ambientais e humanos decorrentes da utilização de substâncias perigosas na extração do ouro, nomeadamente o mercúrio e o cianeto, e a consequente contaminação dos solos e dos cursos de água, com repercussões na agricultura, no gado, nos ecossistemas fluviais e na saúde das populações.

O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, refere que “é muito importante que o Museu de Fotografia da Madeira seja também um espaço para dar a conhecer trabalhos que nos confrontam com realidades que estão longe do nosso quotidiano, mas que levantam questões universais.”

“A mostra ‘Blessed Ground’ é um desses projectos: através da fotografia, Ricardo Lopes aproxima-nos de comunidades e de um território profundamente marcados pelas consequências da exploração do ouro, dando visibilidade às dimensões humanas, sociais e ambientais dessa transformação. É precisamente esta capacidade de documentar, questionar e provocar reflexão que queremos continuar a afirmar na programação do Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente’s", acresta o governante.

Fotógrafo documental e fotojornalista independente, Ricardo Lopes está baseado em Lisboa e estudou Fotojornalismo no Cenjor – Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas, em 2017. Desde então tem colaborado com diversas publicações nacionais e internacionais, entre as quais o Público, Expresso, De Volkskrant e The Guardian, abordando temas relacionados com política, economia, ambiente, cultura, arte e viagens. Atualmente, dedica-se sobretudo a projectos documentais de longa duração centrados nas condições sociais, económicas e ambientais das pessoas e comunidades que fotografa.

Ao longo do seu percurso, o trabalho de Ricardo Lopes tem sido distinguido e apresentado em diferentes contextos nacionais e internacionais. Este trabalho fotográfico integrou a Bienal Internacional de Fotografia de Sofia 2025 e foi distinguido com o Prémio Fotografia CC11 2025.

A mostra ficará patente na sala de exposições temporárias do Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s até Janeiro de 2027.

O secretário regional, Eduardo Jesus, marcará presença na inauguração.