Turismo vai mudar com IA e sector precisa de criar experiências únicas
A administradora do Turismo de Portugal avisou hoje, no Porto, na 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local, que a inteligência artificial vai mudar o setor turístico e que é preciso criar experiências únicas e aproveitar as tradições locais.
"Muita coisa vai mudar [com a inteligência artificial], mas há valores como a inteligência emocional, a hospitalidade, a empatia que nunca vão desaparecer e que é o valor do turismo", declarou esta manhã, no Centro Batalha do Porto, a administradora no Turismo de Portugal, Catarina Paiva, durante a sua intervenção no painel "Qualificar para Criar Valor: Pessoas, Experiências e Ecossistema -- Como criar mais valor através das pessoas, da hospitalidade e do ecossistema do Alojamento Local?".
Catarina Paiva afirmou que "hoje um gestor de alojamento local precisa de estar focado na unidade de alojamento", mas "precisa de estar muito mais focado naquilo que é a experiência, em toda a cadeia de valor da experiência, o que significa que vai precisar de competências diferentes" e em várias "dimensões".
As questões financeiras, o enquadramento legal, o enquadramento fiscal, são temas fundamentais, bem como a rentabilidade, mas há componentes novas que começam a surgir com a evolução da sociedade e com a introdução da inteligência artificial na vida das pessoas.
"De facto, aquilo que vai diferenciar o alojamento local, nomeadamente de outras áreas, é a sua capacidade de tornar e de criar experiências únicas e que não são replicáveis"
Catarina Paiva destacou que há valores como a inteligência emocional, a hospitalidade, a empatia que transformam a experiência de um turista como sendo única e tais experiências irrepetíveis oferecidas pelo ser humano jamais vão ser substituídas pela IA.
Para amplificar o valor das competências dos profissionais do Alojamento Local para o futuro, o que vai fazer a diferença são as experiências que se proporcionam aos hóspedes, aproveitando a envolvência nas ofertas locais.
As empresas que conseguirem manter-se são as que vão conseguir criar experiências únicas e o "AL tem capacidade, por excelência, para oferecer as tais experiências únicas", reiterou a administradora.
Paulo Teixeira de Morais, professor da Universidade Portucalense, participou no mesmo painel e também concordou que a IA é "uma nova revolução industrial em curso", mas considera que um dos setores menos vulnerável a esta IA é o turismo, porque precisamente vai continuar a precisar de mão-de-obra humana para algo tão simples como cozinhar para os turistas.
"Não se fazem refeições sem pessoas", disse.
Paulo Teixeira de Morais considera que o setor do turismo, designadamente a hotelaria e a restauração, podem ser alavancados com a IA, mas avisa que é necessário que todos tenham formação para ter competências digitais, e recorda que muitos imigrantes a trabalhar no setor não têm formação e que os que a têm "fogem de Portugal para outros países da Europa, porque os salários são mais atrativos".
Na quarta-feira, dia 07, foi o primeiro dia da Cimeira Nacional do Alojamento Local e foi anunciado que o primeiro Livro Branco do Alojamento Local em Portugal iria ser coordenado pelo ex-ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral e que seria publicado até maio de 2027.
A primeira versão desse documento está disponivel para leitura no sítio da Internet da associação de Alojamento Local Porto e Norte, a entidade que está a organizar a cimeira nacional e o coordenar o Livro Branco do Alojamento Local. O documento vai poder receber contributos da sociedade civil até ao final deste ano, avançou Elsa Pereira, vice-presidente da ALPN.