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Rebeca Grynspan continua a liderar sucessão de Guterres na ONU

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Foto EPA/OLGA FEDOROVA

A ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, ganhou hoje, pela quarta vez, uma "votação indicativa" no Conselho de Segurança para o cargo de secretário-geral da ONU, segundo fontes diplomáticas.

Na votação de hoje, à porta fechada, os 15 membros do Conselho de Segurança atribuíram anonimamente a cada candidato as classificações "encoraja", "desencoraja" ou "sem opinião"; segundo fonte diplomática, Grynspan teve nove votos de "encoraja", seis de "desencoraja" e zero de "sem opinião".

Esta foi a quarta liderança de Grynspan na votação, em cinco sufrágios realizados desde julho, mas o seu desempenho foi inferior ao anterior, a 29 de setembro, quando obteve apenas três votos de "desencoraja", contra 10 de "encoraja".

Apesar da liderança, persistem incertezas sobre o desfecho da competição, pois ainda não foi descartada a ameaça de veto de uma grande potência à sua candidatura no final deste processo complexo, que visa escolher o futuro chefe de uma instituição marcada por divisões internas.

Basta que um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança vote contra ela para que a sua candidatura falhe e, como as "votações indicativas" são anónimas, não se sabe se um ou mais destes países (França, Grã-Bretanha, Rússia, China e Estados Unidos) estão entre os seis votos de "desencoraja" que recebeu.

Mais à frente no processo, as votações com boletins de voto a cores permitirão verificar se algum dos membros permanentes exerce o poder de veto.

Esta próxima votação poderá acontecer antes do final do mês, segundo várias fontes diplomáticas.

Além disso, a entrada de um novo candidato na disputa continua a ser possível.

Até ao momento, quatro mulheres e três homens tentam suceder ao português António Guterres, de 77 anos, que terminará a 31 de dezembro o seu segundo mandato de cinco anos à frente da ONU.

Aos 70 anos, Rebeca Grynspan afastou-se recentemente da direção da agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) --- cargo que ocupava há pouco mais de quatro anos --- para fazer campanha.

Na votação de hoje, em segundo lugar ficou o atual diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi (6 votos de "encorajamento", 7 de "desencorajamento" e 2 "sem opinião"), seguido por Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiana (5-9-1), registando esta um crescimento de oposição à sua candidatura.