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Ventura acusa Aguiar-Branco de tentar bloquear comissão de inquérito a Luís Neves

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O presidente do Chega, André Ventura, acusou hoje o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, de bloquear a comissão de inquérito aos mantos de Luís Neves na PJ e anunciou que vai pedir um debate de urgência no Parlamento, na quinta-feira.

"O Chega entendeu que devia escrever diretamente ao presidente da Assembleia da República, porque as atitudes persistentes, permanentes e reiteradas de tentar bloquear uma comissão de inquérito com todos os argumentos, os que valem e os que não valem, os que estão no Regimento e os que não estão, para tentar de toda a forma proteger Luís Neves ou atrasar a investigação parlamentar ao caso de Luís Neves", disse.

"Nós tivemos uma primeira rejeição da comissão de inquérito porque o objeto não era suficientemente sólido. Tivemos uma segunda rejeição da comissão de inquérito porque havia uma latitude muito grande na investigação.  Tivemos uma terceira limitação da comissão de inquérito porque, ao referirmos outros casos, podíamos estar a pôr em causa uma investigação muito ampla às ilegalidades do próprio ministro da Administração Interna. Tudo isso o Chegue aceitou", lembrou o dirigente do Chega.

André Ventura, que falava aos jornalistas durante uma visita à empresa de componentes para aeronáutica 3D-ISO -- Projeto e Soluções de Maquinação, no Montijo, no distrito de Setúbal, refutou o argumento de que o Parlamento apenas deve ter duas comissões de inquérito a funcionar simultaneamente, sustentando que essa limitação "não consta da Constituição nem do Regimento da Assembleia da República".

"Tudo serve para atrasar", afirmou o líder do Chega, reiterando que está em causa uma tentativa de impedir o avanço da comissão de inquérito e de proteger Luís Neves.

O presidente do Chega anunciou ainda que o partido vai pedir um "debate de urgência no Parlamento", na quinta-feira, sobre o que classificou como uma "proteção absolutamente indecorosa" ao ministro e sobre a atuação do presidente da Assembleia da República.

Ventura considerou ainda que a comissão de inquérito pode desenvolver os seus trabalhos em simultâneo com a discussão do Orçamento do Estado, à semelhança do que aconteceu com a comissão parlamentar de inquérito ao caso das gémeas.

"Não vamos desistir enquanto a verdade e a transparência não se sobreponham ao cálculo e ao jogo político", assegurou.

André Ventura criticou também o secretário-geral do PS, acusando-o de ter viabilizado o Orçamento do Estado antes de   conhecer documento e de ser o responsável político pela ausência de medidas relacionadas com as rendas, combustíveis e crédito à habitação, considerando que José Luís Carneiro é um "ministro de sombra" do atual Governo.