Luís Neves diz encarar com "total tranquilidade" comissão de inquérito sobre passagem pela PJ
O ministro da Administração Interna afirmou hoje encarar com "total tranquilidade" a comissão parlamentar de inquérito proposta pelo Chega à sua atuação enquanto diretor nacional da PJ, defendendo que os mecanismos de escrutínio "são importantes para apurar a verdade".
Falando aos jornalistas à margem da cerimónia de encerramento do 6.º Curso de Formação de Chefes da Polícia de Segurança Pública (PSP), na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, Luís Neves reagiu ao avanço da comissão de inquérito parlamentar, considerando que "todas as comissões, todas as averiguações, todos os inquéritos são relevantes para que se esclareça de facto a verdade e que não fique a pairar qualquer dúvida sobre qualquer facto".
Questionado sobre se a iniciativa coloca em causa o seu percurso à frente da PJ, o governante respondeu que não, defendendo o trabalho realizado durante os mandatos que exerceu à frente da instituição.
"No dia em que assumi funções, a Polícia Judiciária tinha 968 inspetores, com uma média de idade de 50 anos, não tinha meios e, passados estes anos, é um corpo forte a apoiar e suportar toda a atividade do Ministério Público", afirmou
Na mesma ocasião, Luís Neves foi confrontado com as buscas realizadas esta semana na Polícia Judiciária, no âmbito de um processo em que o atual diretor nacional surge como potencial suspeito.
O ministro recusou comentar a investigação, alegando "que não comenta processos em curso".
Ainda assim, sublinhou que a PJ é "uma enorme instituição coesa", "assente no trabalho das mulheres e dos homens que nela exercem funções", incluindo a respetiva liderança.
Questionado sobre as negociações com os sindicatos da PSP e associações socioprofissionais da GNR, cuja próxima ronda está prevista para 29 de setembro, o governante afirmou que o executivo "continua a trabalhar nas propostas" e garantiu que está empenhado "em alcançar consensos que correspondam às legítimas expectativas dos profissionais das forças de segurança".
Sobre as dificuldades de recrutamento na PSP, Luís Neves defendeu que o problema "ultrapassa a própria polícia", apontando como exemplo o facto de concursos para cerca de 800 novos agentes terminarem frequentemente com apenas 550 a 600 candidatos a concluírem o processo.
"Isto não é um problema da Polícia de Segurança Pública, é um problema do coletivo, não é nem do partido A, nem do partido B, nem do Governo. É um problema de todos", afirmou, referindo que o Governo pretende recorrer "à tecnologia e a outras soluções para tornar a carreira mais atrativa e reforçar a capacidade da instituição".
Luís Neves aproveitou ainda para anunciar que o Governo já autorizou a abertura, nos próximos dias, de um novo concurso para chefes da PSP, com um número de vagas semelhante ao dos 196 profissionais que hoje concluíram o curso de promoção.
À margem da cerimónia, Luís Neves manifestou ainda pesar pela morte de uma bombeira de 24 anos, do corpo de bombeiros de Resende, ocorrida durante operações relacionadas com os incêndios rurais, apresentando condolências à família e à corporação
Depois da cerimónia, o ministro inaugurou as novas instalações na EPP, num investimento de 2,5 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), uma obra que permitirá acolher e formar cerca de 170 agentes.