Inflação regional explicada pelo turismo e serviços
No entender de Miguel Albuquerque, o facto de a Madeira ter uma inflação superior à média nacional deve-se, sobretudo, ao impacto do turismo e dos serviços na economia regional. Confrontado com esta realidade, rejeitou que a diferença seja explicada essencialmente pelos bens alimentares, sustentando que estes são, na Região, cerca de 3,17% mais baratos. Segundo o presidente do Governo, a pressão resulta sobretudo dos preços praticados em áreas como alojamento, hotelaria, restauração e transportes ligados à actividade turística.
O governante argumentou que, numa economia em que cerca de 30% do PIB depende do turismo, a valorização dos serviços acaba por produzir maior pressão inflacionista nestas áreas. Defendeu, contudo, que preços mais elevados também podem reflectir a melhoria da qualidade da oferta.
Luta pelos fundos das regiões ultraperiféricas vai manter-se
A par disso, e numa reacção à posição assumida esta terça-feira por Luís Montenegro, em Estrasburgo, Miguel Albuquerque voltou a defender a manutenção dos fundos europeus destinados às Regiões Ultraperiféricas no quadro financeiro de 2028-2034, destacando a importância estratégica destes territórios para a presença da União Europeia no Mundo.
O presidente do Governo recordou a posição conjunta de Portugal, Espanha e França junto da Comissão Europeia e salientou que, através das regiões ultraperiféricas, a União Europeia mantém presença física no Atlântico, Caraíbas, América do Sul e Índico.
Albuquerque considera necessário continuar a sensibilizar sobretudo os países do Norte da Europa para as dificuldades estruturais permanentes das RUP. O governante assumirá, no início de Novembro, a presidência da Conferência dos Presidentes das Regiões Ultraperiféricas, na Guadalupe, garantindo que continuará este trabalho.
Contas da Segurança Social serão rectificadas
Sobre as contas da Segurança Social regional que voltaram a não obter o aval do Tribunal de Contas, Albuquerque garantiu que serão rectificadas e novamente apresentadas.
O presidente do Governo reconheceu a necessidade de diálogo com o Tribunal de Contas e de cumprimento das regras, mas voltou a criticar aquilo que considera ser o excesso de burocracia. "O País está emaranhado numa burocracia bizantina", afirmou, defendendo que as regras existentes tornam cada vez mais difícil aos dirigentes tomar decisões e executar procedimentos.