Porto do Caniçal vai crescer para responder à subida da carga
Movimento de mercadorias aumentou 35% desde 2020 e APRAM alerta que a infra-estrutura está a ficar curta
O Porto do Caniçal vai ser ampliado para responder ao crescimento do movimento de mercadorias e evitar constrangimentos no abastecimento da Madeira. A presidente da Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM), Paula Cabaço, revelou que está já aprovada uma candidatura ao Madeira 2030 que permitirá expandir o terrapleno para nascente, aumentar a área destinada a contentores, remodelar o contramolhe e instalar tomadas de fornecimento de energia eléctrica aos navios.
Paula Cabaço considerou a intervenção estratégica, numa altura em que a carga descarregada no Caniçal aumentou 35% entre 2020 e 2025. Cerca de 95% dos produtos que chegam à Região entram através daquele porto, cuja capacidade começa a revelar-se insuficiente face ao crescimento da economia e das necessidades de abastecimento.
A presidente da APRAM admitiu, contudo, que serão necessários novos investimentos para permitir a entrada de navios de maior dimensão. A infra-estrutura actual apresenta limitações físicas que, a prazo, poderão afectar a capacidade de resposta às necessidades da ilha.
Nos últimos três anos, o Porto do Caniçal foi já alvo de uma intervenção de dez milhões de euros, ainda em conclusão, destinada à substituição do pavimento e das redes, ao reforço das fundações e à melhoria das condições de segurança e da capacidade operacional.
Paula Cabaço anunciou também novos investimentos no Porto do Funchal. Está previsto o reforço dos sistemas de controlo de passageiros, no âmbito do novo sistema europeu de entradas e saídas, bem como a substituição de equipamentos de amarração, devido ao aumento da dimensão dos navios de cruzeiro.
Segundo a responsável, a APRAM prevê terminar o ano com mais de 350 escalas de cruzeiros e perto de 800 mil passageiros. Antes da pandemia, o Funchal registava cerca de 290 escalas e menos de 300 mil passageiros.
A presidente da APRAM destacou ainda o papel dos fundos comunitários na construção da gare marítima, na ampliação dos cais e na modernização dos portos do Funchal, Caniçal e Porto Santo. A gare permitiu transformar o Funchal, tradicionalmente um porto de trânsito, num ponto de embarque e desembarque de passageiros.
Estão igualmente previstas intervenções no Porto Santo e em pequenos portos e marinas da Madeira, considerados importantes para a pesca, a náutica de recreio, as actividades marítimo-turísticas e a dinamização económica fora do Funchal.