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Especialista defende flexibilidade no uso de manuais digitais e em papel

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 O professor de Ciências Humanas da Universidade Católica José Lagarto, doutorado em sistemas de educação à distância, defendeu ontem que os docentes deviam ter flexibilidade para leccionar nas escolas, em simultâneo, com apoio de manuais digitais ou em papel.

"Nós podemos tentar encontrar aqui um meio-termo entre as duas plataformas. O busílis é que o professor vai ter de ter capacidade para ser suficientemente flexível, suficientemente inovador para criar contextos de aprendizagem onde tudo seja possível", defendeu o especialista, durante uma audição na Comissão de Assuntos Sociais do parlamento açoriano, reunida em Angra do Heroísmo.

José Lagarto foi ouvido pelos deputados na sequência de uma proposta apresentada por Nuno Barata, deputado único da Iniciativa Liberal (IL) no parlamento açoriano, que defende que, além de disponibilizar gratuitamente manuais escolares digitais, o Governo dos Açores devia também ceder livros em papel a quem os quisesse.

"Os pais que não têm condições económicas para adquirir os manuais físicos veem os seus filhos em desigualdade de circunstâncias em relação àqueles que têm condições económicas para adquirir os manuais físicos nas livrarias. Eu diria que isso contribui para uma certa desigualdade social", insistiu o parlamentar liberal.

Também ouvido pelos deputados, o responsável por um estudo feito nas escolas dos Açores sobre o uso de manuais digitais, João Filipe Matos, lembra que existe uma elevada exigência, por parte dos pais e encarregados de educação dos alunos no ensino secundário, de recurso a manuais em papel por diversos motivos.

"Existe uma taxa relativamente significativa de pais e encarregados de educação que adquirem o manual em papel, alguns dos quais por não se sentirem capazes de apoiar os seus educandos no digital, e o manual em papel tem essa função importante, mas a grande maioria vem por pressão dos próprios alunos", explicou o especialista.

A IL entende que deve ser permitido aos pais e encarregados de educação escolherem, livremente, entre o livro em papel ou o manual digital, mas essa opção, reconhecem os próprios especialistas em educação, poderá trazer mais dificuldades aos professores.

A Comissão de Assuntos Sociais também ouviu hoje a primeira subscritora de uma petição, entregue no parlamento, que defende a revisão pontual do Plano de Pormenor e Salvaguarda da cidade de Angra do Heroísmo, classificada pela UNESCO como património mundial desde 1983.

Ana Rita Couto pretende que a legislação permita que os proprietários de moradias situadas na zona classificada possam substituir as portas e janelas das suas casas por caixilharias em PVC, que requerem menos manutenção, mas que, em termos estéticos são semelhantes, além de oferecerem melhor isolamento térmico.

A presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Fátima Amorim, também ouvido pelos deputados, reconhece o problema, mas defende que se faça uma revisão mais aprofundada do Plano de Pormenor da cidade, que não é alterado há mais de uma década, solução apoiada também pela secretária regional da Educação e Cultura, Sofia Ribeiro.