Milhares de trabalhadores da administração pública manifestam-se no Ministério das Finanças
Milhares de manifestantes marchavam hoje até ao Ministério da Finanças para reivindicar aumentos salariais e o fim do sistema de avaliação de desempenho (SIADAP) em dia de greve da administração pública.
No final da manifestação, os sindicatos vão entregar um documento com as suas reivindicações ao Ministério das Finanças, com vista à valorização das carreiras gerais e a revogar o Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP).
O dirigente nacional da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), Joaquim Ribeiro, referiu que a estagnação salarial "já vai em quase cerca de 300 euros" e reiterou que o único objetivo do Governo é "travar a progressão dos trabalhadores e retirar-lhes o direito à carreira".
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, presente na manifestação, instou o Governo a que saísse à rua e contactasse com os trabalhadores da administração pública a fim de perceber a realidade dos seus problemas.
"Era importante que aqueles que nos governam, aqueles que dizem que Portugal e o país e os trabalhadores estão melhores, que viessem aqui perguntar aos trabalhadores da administração pública, aos trabalhadores das carreiras gerais, se conseguem com mil euros pagar a renda da casa ou o crédito de habitação da forma que está", disse o dirigente da central sindical.
"Num momento em que pagamos tanto com o pouco salário que temos, como é que é possível setores estratégicos [com elevados lucros], que são os mesmos setores em que nós sentimos mais o custo de vida aumentar, são os mesmos setores em que os lucros cada vez são maiores", acrescentou Tiago Oliveira referindo-se à energia e às empresas de retalho.
Bruno Boaventura, técnico superior na Administração Central do Sistema de Saúde, exige ao Governo o início de uma negociação para aumentos salariais e valorização de carreiras que não aconteça depois de estar fechado o Orçamento de Estado (OE).
"Exigimos negociação para haver aumento salarial e esse aumento salarial tem que ser negociado já, não é o governo encerrar o orçamento de Estado e depois encerrar o processo negocial com os sindicatos da função pública depois de negociar o orçamento de Estado. Foi o que fez no ano passado", afirmou o manifestante em declarações à agência Lusa.
"Neste caso, estamos a propor, para começar as negociações, a subida de quatro posições remuneratórias para todos os trabalhadores das carreiras gerais", acrescentou.
Alexandra, que é assistente operacional numa escola, pede o mesmo, e refere que pessoas com mais de 20 de carreira na função pública ainda recebem o salário mínimo.
"Pessoas que estão a trabalhar há 20, 30 anos, numa escola, continuam a ter o mesmo ordenado, é um ordenado mínimo, porque as carreiras não avançam, não temos uma carreira, somos todas assistentes operacionais", disse à Lusa.
Alexandre Baladas, técnico superior do programa Pessoas 2030, chama à atenção para a "pouca valorização que existe dos trabalhadores que trabalham na área da gestão dos fundos europeus", considerando que "é um trabalho com uma elevada exigência".
"Nós trazemos um número para a nossa economia, é um trabalho com uma elevada exigência, com uma grande necessidade técnica e nós sentimos - e neste momento temos questões acrescidas, nomeadamente em termos de tratamento diferenciado com outras áreas da função pública -, que necessitamos de tornar mais visível a nossa luta", defendeu.
Transversal a todos os testemunhos ouvidos pela Lusa, é a necessidade de revogar o atual sistema de avaliação de desempenho, o SIADAP, que segundo os trabalhadores, coloca as pessoas presas no mesmo salário por oito anos, impossibilitando a progressão das carreiras.
Na manifestação liam-se cartazes a pedir a abolição do SIADAP, entre vozes de luta que entoavam "sem carreiras atrativas só cá ficam as formigas".