Dançando com a Diferença alerta para utilização indevida de imagens de pessoas com Trissomia 21 nas redes sociais
A companhia Dançando com a Diferença manifesta preocupação com a criação de perfis falsos nas redes sociais que se apresentam como pessoas com Trissomia 21 ou que recorrem a imagens destas pessoas para divulgar conteúdos de cariz sexual. A companhia alerta para os riscos associados à utilização abusiva de imagens, sem conhecimento ou consentimento dos seus titulares, e apela à protecção dos direitos das pessoas com deficiência também no espaço digital.
Segundo a Dançando com a Diferença, algumas destas contas utilizam fotografias reais recolhidas na internet, enquanto outras recorrem a imagens geradas através de ferramentas de inteligência artificial. Estas práticas podem envolver a apropriação e a sexualização da imagem de pessoas reais, levantando questões relacionadas com o consentimento, a privacidade e a eventual exploração sexual.
Em nota à imprensa, a companhia sublinha que a sexualidade é uma dimensão natural da vida de qualquer pessoa, incluindo das pessoas com Trissomia 21. O problema reside, contudo, na utilização abusiva da imagem de terceiros, sem autorização, e na possibilidade de exploração associada a estes conteúdos.
Até ao momento, não são conhecidas situações desta natureza que envolvam os intérpretes da Dançando com a Diferença. Ainda assim, a organização considera fundamental sensibilizar a comunidade para esta realidade e reforçar a importância de salvaguardar os direitos das pessoas com deficiência no ambiente digital.
Nesse sentido, a companhia está a acompanhar, com recurso a ferramentas de inteligência artificial, a utilização das imagens das pessoas que integram a sua equipa, procurando identificar eventuais situações de uso indevido.
A Dançando com a Diferença apela também à comunidade, aos familiares e ao público em geral para que denunciem junto das plataformas digitais quaisquer situações suspeitas que envolvam fotografias ou imagens dos seus intérpretes ou de outras pessoas.
A organização recomenda que não seja estabelecida qualquer interacção com os perfis suspeitos e que, sempre que possível, sejam guardadas capturas de ecrã, ligações para as páginas e datas das publicações. Estes elementos poderão facilitar uma eventual denúncia junto das autoridades competentes.
Em declaração sobre esta situação, Henrique Amoedo, director artístico da Dançando com a Diferença, recorda o trabalho desenvolvido pela companhia ao longo dos últimos 25 anos em prol da representação das pessoas com deficiência na sociedade, na cultura e nas diferentes esferas do espaço público, incluindo o digital.
"Não podemos aceitar que essa visibilidade, pela qual tanto lutámos, seja agora utilizada para explorar, manipular ou desrespeitar a imagem de pessoas que, assim como todos, merecem a nossa atenção e cuidado", afirma.
Henrique Amoedo sublinha ainda que a representação deve estar sempre associada ao respeito, à dignidade e ao direito de cada pessoa decidir sobre a utilização da sua própria imagem. O responsável destaca também as vantagens da inteligência artificial e das redes sociais, salientando, porém, a necessidade de manter uma atenção constante às questões éticas e de segurança, que considera terem sido claramente desrespeitadas neste caso.