Paula Margarido alerta para risco de exclusão social associado ao cancro
A secretária regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido, defendeu a necessidade de proteger os direitos das pessoas com doença oncológica e combater a exclusão social, sublinhando que a resposta ao cancro da mama deve ir além da dimensão clínica. A governante falava esta sexta-feira no encerramento da tertúlia 'Conversas em Rosa', realizada no Funchal, no âmbito das comemorações do Outubro Rosa.
Promovida pela Secretaria Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, através da Direcção Regional da Cidadania e dos Assuntos Sociais, em parceria com o Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a iniciativa reuniu especialistas de diferentes áreas para abordar temas como a prevenção, o diagnóstico precoce, os direitos das pessoas com doença oncológica, a auto-estima e o bem-estar.
Na sua intervenção, Paula Margarido destacou as dificuldades que podem surgir nas dimensões familiar, profissional e emocional, defendendo a criação de condições para que quem enfrenta a doença possa manter ou retomar a actividade profissional. "Quando falamos de Inclusão, falamos de impedir que a doença se transforme em exclusão", afirmou, apelando à compreensão das entidades empregadoras e à protecção dos direitos dos trabalhadores que necessitam de ajustar horários ou funções durante os tratamentos.
A responsável alertou também para a importância de respeitar os diferentes percursos emocionais, rejeitando a expectativa de que as mulheres com cancro tenham de demonstrar força e coragem em permanência. "Uma mulher que enfrenta esta doença também tem o direito de ter medo, de estar triste, de se sentir cansada", salientou.
A tertúlia contou com as intervenções da médica radiologista Mónica Armas, da advogada Carla Conde, da especialista em maquilhagem e cabelo Mary Carfora e de Helena Toste Silva, secretária-geral do Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que partilhou a sua experiência enquanto sobrevivente da doença. A conversa foi moderada por Isabel Gomes da Silva, presidente da Mesa da Assembleia Regional da Ordem dos Enfermeiros.
A iniciativa enquadrou-se no IV Plano Regional para a Igualdade e Cidadania Activa, no eixo dedicado à promoção de valores e atitudes igualitárias nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Desporto.
No encerramento, Paula Margarido defendeu que a protecção dos direitos deve ser acompanhada por respostas concretas, sobretudo nos contextos de maior vulnerabilidade económica e social. "Enquanto governantes, temos o dever de criar condições e encontrar respostas; enquanto cidadãos, temos a responsabilidade de não sermos indiferentes", concluiu.