Juventude Popular Madeira aponta habitação e creches como entraves à natalidade
A Juventude Popular (JP) Madeira considera que as dificuldades no acesso à habitação e os encargos com as creches estão entre os factores que condicionam a decisão dos jovens de ter filhos. A posição foi destacada numa reunião com a Associação para o Planeamento da Família (APF Madeira), realizada no âmbito das jornadas "Construir Futuro — Casa, Família e Natalidade".
O encontro, dado a conhecer hoje, permitiu analisar os obstáculos à constituição de família, num contexto em que os jovens procuram conciliar a estabilidade financeira e profissional com os seus projectos pessoais. A dificuldade em aceder a uma habitação, a permanência prolongada em casa dos pais e as exigências do mercado de trabalho foram identificadas como factores que podem contribuir para adiar a parentalidade.
"Os jovens não deixaram necessariamente de querer constituir família, mas procuram primeiro alcançar condições de estabilidade que lhes permitam assumir essa responsabilidade", afirmou Leandro Silva, presidente da JP Madeira, defendendo que é necessário conciliar salários, habitação e exigências profissionais com os projectos familiares.
A reunião abordou também as implicações do adiamento da maternidade, tendo em conta a evolução da fertilidade com a idade e os riscos associados a uma gravidez mais tardia, sem deixar de considerar a maior maturidade e experiência de vida dos futuros pais.
A educação para a sexualidade e o planeamento familiar nas escolas estiveram igualmente em discussão. Entre as questões identificadas encontram-se as limitações de tempo para abordar estas matérias, a persistência de tabus e a necessidade de reforçar a informação sobre contracepção, fertilidade e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis.
Os participantes reflectiram ainda sobre a crescente participação dos pais nos cuidados aos filhos e o acompanhamento prestado pelos serviços de saúde materna na Região, durante a gravidez e no período pós-parto.
No domínio dos apoios à parentalidade, a JP Madeira destaca os custos das creches e a necessidade de assegurar respostas compatíveis com os horários profissionais dos pais, sobretudo quando as redes familiares não conseguem garantir os cuidados diários às crianças. Os apoios à habitação, à alimentação e aos cuidados de saúde infantil também foram abordados.
"Apoiar a natalidade não pode resumir-se à atribuição de um incentivo financeiro no momento do nascimento. É necessário garantir que as famílias encontram condições para criar os seus filhos, com habitação acessível, respostas de creche adequadas e acompanhamento ao longo das diferentes etapas da parentalidade", defendeu Leandro Silva.