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15.º Festival Internacional de Órgão da Madeira começa amanhã na Igreja do Colégio

“Sobre os Ombros de Gigantes – Homenagens Musicais” é o título do concerto inaugural, protagonizado pelo organista Alexander Paine, esta sexta-feira, às 21h30. Todos os concertos do Festival voltam a ser de acesso gratuito

FOTO DR
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A Igreja de São João Evangelista (Colégio), no Funchal, recebe amanhã, às 21h30, o concerto inaugural da 15.ª edição do Festival Internacional de Órgão da Madeira (FIOM), protagonizado pelo organista Alexander Paine, com o programa “Sobre os Ombros de Gigantes – Homenagens Musicais”.

O festival, uma vez mais da responsabilidade da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da direcção regional da Cultura, e com direcção artística de João Vaz, decorre até 25 de Outubro, sob o tema “A Madeira e o Mundo”, associando-se às comemorações dos 50 anos da Autonomia da Região.

Ao longo de dez dias, a programação propõe uma reflexão sobre a relação histórica da Região com os países que acolheram a diáspora madeirense e sobre o papel do arquipélago como espaço de encontro entre culturas. Os concertos realizam-se em espaços históricos da Região e contam com intérpretes nacionais e internacionais provenientes de países como Portugal, Brasil, Estados Unidos da América, Austrália e Espanha.

O concerto inaugural propõe uma viagem pela história da música para órgão, explorando a influência dos grandes compositores nas gerações seguintes e as diferentes formas de homenagear o seu legado. O programa reúne obras de Johann Sebastian Bach, Graeme Koehne, Marcel Dupré, Jehan Alain, Jean Langlais, George Thalben-Ball, Johannes Brahms e Franz Liszt, num diálogo entre diferentes épocas, estilos e tradições musicais.

Alexander Paine iniciou os seus estudos de órgão aos 14 anos, em Adelaide, na Austrália, tendo ingressado, em 2015, na Schola Cantorum Basiliensis, na Suíça, instituição de referência internacional no estudo e na interpretação da música antiga. Concluiu o mestrado em Performance de Música Antiga, em 2017, e em Teoria Musical, em 2020. Entre 2020 e 2022, lecionou teoria musical na Hochschule für Musik de Trossingen, na Alemanha. Atualmente, reside em Basileia, onde é organista da Igreja Católica de São Pedro e São Paulo e mestre do coro. Atua regularmente na Suíça e na Austrália, tendo-se apresentado também em Inglaterra, França, Alemanha, Áustria e Lituânia.

No texto de apresentação do concerto, da autoria de Alexander Paine, o organista aborda a relação entre passado e presente na prática musical e a forma como cada geração recebe e transforma a herança dos seus antecessores. Essa influência manifesta-se tanto na adaptação de obras existentes como na criação de novas composições inspiradas em temas e linguagens musicais anteriores.

Entre as obras selecionadas, destaca-se o Concerto em lá menor, BWV 593, de Johann Sebastian Bach, baseado num concerto de Antonio Vivaldi, e as Variations on a Theme by Paganini, de George Thalben-Ball, que exploram as possibilidades técnicas do órgão através da pedaleira a solo.

O programa inclui ainda o prelúdio-coral Schmücke dich, o liebe Seele, de Johannes Brahms, e termina com a Fantasia e Fuga sobre B-A-C-H, de Franz Liszt. Nesta obra, Liszt desenvolve uma composição de grande intensidade dramática a partir do motivo musical associado ao nome de Bach, conjugando virtuosismo e homenagem a um dos compositores mais influentes da história da música ocidental.

Como explica Alexander Paine no texto que acompanha o programa, a obra de Liszt representa um encontro entre o antigo e o novo, demonstrando como a admiração pelos grandes mestres pode coexistir com uma expressão artística própria. Esta ideia sintetiza o conceito do concerto: reconhecer o legado musical recebido e compreender de que forma continua a inspirar a criação e a interpretação contemporâneas.

Folhas de sala digitais reforçam a sustentabilidade do Festival

Uma das novidades da edição de 2026 é a disponibilização das folhas de sala em formato digital, através de códigos QR colocados nos locais dos concertos. O público poderá consultar, diretamente no telemóvel, as notas de programa, as biografias dos intérpretes e as informações sobre os órgãos históricos utilizados.

A medida integra a estratégia de modernização do Festival, aliando a transformação digital à sustentabilidade ambiental. Ao reduzir a necessidade de impressão de materiais, contribui para diminuir o consumo de papel e o impacto ambiental associado à organização dos eventos, facilitando simultaneamente o acesso à informação artística e contextual de cada espetáculo.

Para o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, “o Festival Internacional de Órgão da Madeira tem um papel importante na valorização e divulgação do património cultural da Região, dando a conhecer os nossos órgãos históricos e criando oportunidades para ouvir intérpretes e repertórios de diferentes geografias. Nesta 15.ª edição, o tema ‘A Madeira e o Mundo’ associa esta dimensão cultural às comemorações dos 50 anos da Autonomia, evocando as ligações que a Região mantém com outros países e culturas.”

O governante refere ainda que o objetivo é que “este património continue a chegar a públicos cada vez mais alargados. A gratuitidade dos concertos é fundamental para facilitar esse acesso, enquanto a disponibilização das folhas de sala em formato digital permite melhorar a experiência dos espectadores e reduzir o consumo de papel. São formas complementares de promover a cultura, aproximando as pessoas da música e conciliando a valorização patrimonial com práticas mais sustentáveis”, afirma.