Movimento Casa para Viver condena "violência policial" no Porto
O movimento Casa para Viver condenou hoje a "violência policial" no Porto, que esta madrugada provocou 35 feridos, e assinalou que "bastonadas não constroem casas".
"Trinta e cinco feridos. É este o saldo da carga policial sobre quem saiu à rua no Porto para exigir aquilo que a Constituição garante a todos: o direito a uma casa. Para a Casa para Viver, a mensagem do Governo e da Câmara Municipal do Porto ficou clara: quando faltam casas, sobram bastonadas", critica o movimento em comunicado.
Para o Casa para Viver, "o que se viu no Porto foi o poder a proteger a especulação imobiliária, e não as pessoas que lá querem continuar a viver".
"Enquanto os preços e as rendas não param de subir, jovens, trabalhadores, estudantes, famílias e idosos são empurrados para fora do Porto e de todo o país. Perante esta crise, nem o governo nem a câmara apresentam uma política de habitação digna desse nome. Mas, quando as pessoas se organizam de forma pacífica para a exigir, não faltam mãos para as reprimir", condena.
Em comunicado, o Casa para Viver informa ainda ter convocado uma Assembleia Popular da Habitação para domingo, às 15:00, no Largo de São Domingos, em Lisboa.
"Para lutar para uma política de habitação que resolva os problemas de quem vive e trabalha em Portugal e em solidariedade com os manifestantes do Porto, a Casa Para Viver chama todas e todos a juntarem-se numa assembleia aberta, para denunciar políticas que só garantem casas aos fundos imobiliários e aos mais ricos - e para organizar a resposta", indica.
"A assembleia é também o ponto de partida para as grandes manifestações de 14 de novembro, em todo o país", acrescenta o Casa para Viver.
O movimento pela habitação, que tem protestado no Porto desde sábado, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou hoje uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais terão ficado em estado grave.
"Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto", refere o movimento em comunicado.
De acordo com este movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas" na Praça D. João I".