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“Não dá mais para viver assim”

É já no próximo sábado que o Funchal acolhe uma concentração de protesto contra o custo de vida e pela implementação de medidas de apoio às famílias. A iniciativa, que decorrerá no mesmo dia em várias cidades do país, tem como mote “Não dá mais para viver assim” e foi convocada por associações, sindicatos e diversos coletivos, numa resposta ao aumento continuado dos preços dos bens essenciais, dos combustíveis e da habitação. Não é apenas uma frase de protesto. Para muitas famílias, é a descrição da realidade com que se confrontam todos os meses. O salário entra e, cada vez mais depressa, desaparece entre a renda ou a prestação da casa, a alimentação, a eletricidade, a água, os transportes e todas aquelas despesas que não podem simplesmente ser adiadas.

Na Madeira, há razões acrescidas para participar. Vivemos numa região onde o custo de muitos produtos é agravado pela insularidade, onde os salários continuam baixos e onde encontrar uma casa para arrendar a um preço comportável se tornou, para muitas pessoas, uma verdadeira corrida contra o tempo. Há trabalhadores que não conseguem pagar a renda ou a prestação ao banco e jovens que adiam a saída de casa dos pais porque não conseguem suportar os preços praticados no mercado de arrendamento. E não podemos esquecer que a recente alteração da legislação do arrendamento, aprovada na Assembleia da República, vai no sentido de facilitar os despejos e de tornar ainda mais frágil a posição de quem arrenda uma casa. Quando a habitação deixa de ser um direito acessível e passa a ser tratada sobretudo como um negócio, quem tem menos recursos fica naturalmente mais exposto. É por isso que este protesto não deve ser visto apenas como mais uma manifestação. É uma oportunidade para dizer que há limites para aquilo que se pode exigir às pessoas. Não podemos continuar a pedir às famílias que façam contas cada vez mais apertadas, enquanto os rendimentos não acompanham o custo de vida. Participar no próximo sábado é também dizer que queremos uma Madeira onde trabalhar permita viver com dignidade, onde os jovens possam construir a sua vida, onde ninguém tenha de escolher entre pagar a renda e encher o frigorífico. “Não dá mais para viver assim” não é exagero. Para muita gente, é simplesmente a verdade.