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Últimos desenvolvimentos do movimento de contestação estudantil em França

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Foto  EPA/MOHAMMED BADRA

Eis os principais acontecimentos de hoje relacionados com o movimento de contestação estudantil do ensino secundário iniciado em França em meados de setembro na região de Paris e que alastrou ao resto do país:

Mais de 250.000 pessoas --- estudantes, pais, professores e sindicalistas --- manifestaram-se em Paris e em várias outras cidades francesas exigindo mais recursos, sob forte vigilância policial e num clima de tensão e confrontos.

O funcionamento de cerca de 40% das instituições de ensino superior públicas foi hoje afetado, num dia de forte mobilização de alunos do ensino secundário e universitário, segundo o Ministério da Educação.

Além disso, em 891 escolas secundárias - cerca de um quarto das 3.700 existentes em França -, as aulas foram "suspensas, total ou parcialmente, por vários motivos", precisou o ministério.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai presidir hoje à noite a uma reunião para fazer um ponto da situação da mobilização estudantil.

Entre os presentes, estarão o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, os ministros do Interior, Laurent Nuñez, e da Educação, Édouard Geffray.

"A nossa prioridade absoluta é proteger os nossos alunos", afirmou Geffray à radiotelevisão franceinfo, considerando "muito saudável para a democracia estudantil" a realização de uma manifestação devidamente comunicada às autoridades.

Garantindo estar "a tratar" das reivindicações dos estudantes, o ministro da Educação classificou ainda como "uma tragédia" o caso de um estudante de 15 anos cuja mão foi arrancada na segunda-feira por uma granada em Lens, no norte do país.

Na opinião do Presidente norte-americano, Donald Trump, "o Islão" e uma "imigração em massa fora de controlo" estão na origem do movimento de contestação em França.

"O que está a acontecer em França não é mais do que uma imigração em massa fora de controlo. Não se trata das escolas, trata-se do Islão a querer tomar conta de um país que já foi grande!", escreveu o Presidente republicano na sua rede social, Truth Social.

O polícia que disparou o lança-granadas de gás lacrimogéneo, ferindo gravemente o rosto de um estudante na região de Paris na semana passada, foi hoje indiciado por violência.

No final do protesto na capital, ocorreram confrontos entre manifestantes e forças de segurança, com arremesso de objetos, gás lacrimogéneo, granadas de mão e fogo-de-artifício.

O comando da polícia metropolitana reportou a presença de "300 indivíduos hostis" e indicou que foram detidas 12 pessoas.

A situação tornou-se tensa quando os manifestantes começaram a lançar objetos, pedras e cones de sinalização de obras aos agentes policiais, que responderam disparando gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento, enquanto alguns manifestantes gritavam "Toda a gente odeia a polícia!".

Segundo o Ministério do Interior, 256 mil pessoas participaram nas manifestações de hoje no país, ao passo que as organizações de estudantes do ensino secundário e universitário estimaram em 450 mil o número de manifestantes.

Em Paris, o Governo indicou que participaram na marcha de protesto 56 mil pessoas, enquanto os organizadores referiram 100 mil manifestantes.

Sébastien Lecornu condenou hoje, na Assembleia Nacional, a violência ocorrida à margem das manifestações dos estudantes e refutou a existência de qualquer "repressão policial".

"Não podemos dar margem de tolerância para a violência", afirmou o primeiro-ministro, apelando à classe política para que se solidarize com os funcionários públicos afetados.

"Incendiar uma escola secundária não melhora a situação das instalações escolares" e "linchar um professor não melhora a taxa de substituição de professores", argumentou Lecornu, acusando o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI, na sigla em francês) de ter "o projeto político de levar o país ao caos" até às eleições presidenciais, agendadas para a primavera de 2027.

"Tudo o que pudermos corrigir [no sistema de orientação Parcoursup], nós corrigiremos", prometeu, na Assembleia Nacional, em resposta a uma das exigências dos estudantes do ensino secundário que hoje protestaram novamente.

O chefe do Governo anunciou igualmente a suspensão das aulas nas escolas secundárias até ao final da semana para organizar um "momento de democracia interna" com os alunos.

"A partir de amanhã de manhã, na quinta e na sexta-feira, haverá uma libertação total dos horários das aulas para permitir que cada equipa de direção, cada diretor tenham um tempo de democracia interna dentro da escola", disse.

O líder dos deputados socialistas, Boris Vallaud, anunciou a apresentação de um projeto de lei para impedir as forças de segurança de utilizarem armas que provoquem mutilações ou de recorrerem a "práticas violentas" quando lidam com menores.

De acordo com o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as intervenções das forças de segurança, desde o início do movimento de contestação estudantil, têm decorrido com "a máxima proporcionalidade".

"Afirmo categoricamente que, quando há distúrbios, tem de haver uma intervenção", declarou o ministro, assegurando que, quando se está a lidar com alunos do ensino secundário, as intervenções "são realizadas de forma ainda mais proporcional, com ainda mais tato".

Dez inquéritos foram abertos pela Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), a "polícia das polícias", desde o início da contestação, indicou o Ministério do Interior na segunda-feira à noite.

A IGPN foi também chamada após a divulgação de um vídeo que mostrava um polícia à paisana aparentemente a tocar no cabelo e no peito de uma jovem detida em Metz, segundo o Ministério Público, elevando hoje para 11 o número de investigações abertas.

Desde o início do movimento, 215 alunos ficaram feridos; a "imensa maioria" dos casos ocorreu "quer em consequência de acidentes, quer por ação de indivíduos exteriores" aos protestos, segundo o gabinete do primeiro-ministro.

Os números mais recentes do Ministério do Interior indicaram que 488 pessoas foram detidas e 43 agentes das forças de segurança ficaram feridos nos distúrbios associados à contestação estudantil.

Desde 28 de setembro, segundo a mesma fonte, 6.547 pessoas foram detidas no âmbito deste movimento.