Lufthansa será "mais-valia" para companhia aérea nacional
A entrada da Lufthansa como acionista da TAP, após ter sido escolhida pelo Governo, é uma mais-valia para a companhia aérea nacional, defendeu hoje a Confederação do Turismo de Portugal (CTP).
Num comunicado, a CTP saudou a decisão anunciada hoje pelo Governo de que aprovou em Conselho de Ministros a venda de 44,9% da TAP ao grupo Lufthansa.
Para a CTP, a entrada da Lufthansa na TAP é "uma mais-valia para a companhia aérea portuguesa já que lhe garante capacidade financeira e reforça a sua competitividade internacional, o que na atual conjuntura de mercado é essencial para o desenvolvimento da companhia aérea portuguesa", uma empresa que a entidade considera "determinante para a ligação do país aos mercados internacionais estratégicos, às regiões autónomas e aos países da diáspora".
Francisco Calheiros, presidente da CTP referiu, citado na mesma nota, que a "integração da TAP num grande grupo de aviação internacional vai beneficiar a companhia aérea, o turismo e o país".
Segundo o dirigente associativo, a TAP "já não poderia continuar isolada neste mercado tão competitivo".
"Aplaudo a decisão de hoje anunciada pelo Governo e continuo a frisar que a CTP defende uma segunda fase da venda da TAP, para que se concretize uma privatização a 100%", reiterou.
Francisco Calheiros espera que "depois de terminadas todas as fases da operação de venda, se conclua que o novo acionista da TAP virá a garantir empregos, o 'hub' de Lisboa, as ligações às regiões autónomas e à diáspora", bem como a preservação das atuais rotas estratégica e do "ADN da marca TAP".
O Governo selecionou hoje a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.
"Com esta decisão, o Governo concluiu com sucesso a primeira fase da privatização da companhia aérea", referiu Montenegro.
O primeiro-ministro destacou ainda que ambas "as propostas eram robustas e muito equivalentes", sublinhando que asseguravam o reforço do 'hub', a manutenção das rotas dos países lusófonos, bem como "o respeito pelos trabalhadores e sustentabilidade financeira [da TAP] a médio e longo prazo".
Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros, ou 16%, à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.
Segundo a apresentação do Governo, a proposta da Lufthansa prevê um encaixe potencial de 1.201 milhões de euros pela alienação de até 49,9% da TAP, incluindo a parcela de 5% reservada aos trabalhadores e os ajustamentos financeiros previstos. Caso esta parcela não seja subscrita, o vencedor da privatização terá direito preferencial.
A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes ('ticketing fee'), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.