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Marcelo avisa que se intolerância continuar a reinar poderá ser difícil recuperar

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Foto Lusa

O antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa avisou hoje que se o "clima reinante" nas sociedades continuar a ser de intolerância, dos "donos da verdade" e da "radicalização emocional" poderá ser muito difícil recuperar.

Marcelo Rebelo de Sousa participou hoje numa sessão "Portugal-Moçambique: Diálogo, Cooperação e Desenvolvimento", na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa, na qual também intervieram o antigo Presidente de Moçambique Joaquim Chissano e o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.

"A radicalização emocional que domina estes tempos - mais do que racional, emocional - faz com que a grande opção hoje que atravessa a humanidade é ser-se ou não o dono único da verdade e portanto intolerante contra outros terem uma partilha da verdade, e haver diálogo e haver necessidade de fazer pontes", defendeu.

Marcelo constatou que se está a viver "um tempo de intolerância", em que aqueles que apelidou "donos da verdade" decidem impor "unilateralmente a verdade", tendo os restantes que se "moldar aquilo que for definido" pela sua vontade a cada segundo, minuto, hora ou dia.

"Ora, isto está a conquistar muitas almas. Conquista muitas opiniões públicas, conquista muitas sociedades e conquista muitas adesões. Para aquilo que é o tema-chave da ponderação de hoje importa que não seja esse o clima reinante", avisou.

Na perspetiva do antigo chefe de Estado, "se o clima reinante for esse durante um par de anos ou mais uns anos" será "muito difícil haver a recuperação daquilo que parecia uma evidência há menos de dez anos".

"Ou as pessoas aceitam que isto é assim e percebem, ou não percebem e demoram muito tempo a perceber. Quando perceberam já foi muito tarde, já foi muito tarde", avisou.

Marcelo considerou que esta forma de ver e liderar o mundo emergiu "devido à debilidade do que existia".

"A economia, como a sociedade, como a política tem horror ao vazio e se há vazio, alguém preenche o vazio", explicou.

Perante esta situação, de acordo com o ex-Presidente da República, "há duas saídas possíveis", sendo uma delas quem está no "topo dos topos mudar na orientação tem imprimido à cena internacional".

"E é preciso que essa mudança seja acompanhada de mudanças num tempo razoável porque há um faseamento. Quem inaugura um estilo, quem inaugura uma cultura, quem inaugura uma forma de ver o mundo, sabe que depois há ondas que projetam isso em vários continentes", referiu.

Marcelo alertou que "a mudança topo só é sustentada se for acompanhada do peso da base".

"O topo só muda se aqueles que têm de decidir, em cada momento, qual é o topo se manifestarem no sentido da mudança. E quando o mundo acaba por depender de decisões que são muito, muito unilaterais e restritas isso significa que essa base tem uma importância fundamental", observou.