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Deputado francês acredita que origem portuguesa ajudou a evitar extremos políticos

Foto DR
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O deputado francês Ludovic Mendes acredita que as suas origens portuguesa e espanhola contribuíram para ser um político centrista e moderado, evitando os extremos da sociedade francesa. 

"Eu tenho a vantagem de ter três nacionalidades, porque sou francês, espanhol e português", afirmou hoje à Agência Lusa, à margem do congresso da associação Civica em Paris.

Esta tripla identidade, salientou, permite-lhe "compreender outras perspetivas". 

Por outro lado, a história dos pais e dos avós "leva-me a lutar contra o extremismo", referindo a oposição e fuga das famílias às ditaduras fascistas de Portugal e Espanha no século passado.

"Eu tenho um bisavô que foi fuzilado em Espanha pelos franquistas. Sabemos o que é lutar pela democracia e pela República. E acredito que, hoje em dia, esta é uma luta que não podemos perder", enfatizou. 

Mendes foi um dos intervenientes do congresso da associação de autarcas franceses de origem portuguesa, realizado numa sala do Senado.

Nascido em Metz, Ludovic Mendes, de 39 anos, é eleito desde 2017 pelo departamento de Moselle, nordeste de França, pela coligação Juntos (Ensemble), do Presidente, Emmanuel Macron.

Os outros quatro deputados franceses de origem portuguesa são Emmanuel Fernandes, Christine Pirès Beaune e Christophe Proença, todos da coligação de esquerda Nova Frente Popular, e Nathalie da Conceição Carvalho, do partido de extrema-direita União Nacional.

A menos de um ano das eleições presidenciais francesas, em abril de 2027, Mendes alertou para "um debate complicado em França, uma vez que os extremos estão enredados num debate identitário que muitos franceses também prefeririam não ter".

A discussão em torno da identidade francesa é um dos temas que está a marcar o período pré-campanha, opondo a direita e extrema-direita, críticas do multiculturalismo e da imigração, à esquerda e extrema-esquerda, defensoras dos valores republicanos e do universalismo.

"Hoje em dia, falar de identidade num país que está a atravessar dificuldades económicas não vai resolver essas dificuldades", argumentou Mendes.