Fãs chineses continuam do lado de Cristiano Ronaldo apesar da 'deserção'
Adeptos chineses disseram hoje à Lusa que perdoam Cristiano Ronaldo por abandonar o estágio da seleção portuguesa e acusam o selecionador Jorge Jesus de faltar ao respeito ao "melhor marcador da história do futebol".
Dezenas de milhares de pessoas têm passado pelo empreendimento Venetian Macau, que está a acolher dois jogos da pré-época da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA) entre os Dallas Mavericks e os Houston Rockets.
A camisola mais vista é, de longe, a de Kyrie Irving, o base dos Mavericks que permanece uma enorme estrela na China, apesar de estar ausente há mais de um ano e meio devido a lesão, com o regresso previsto para domingo.
A seguir surge a camisola de Kevin Durant, o líder dos Rockets, mas também houve quem visitasse a NBA House ('Casa da NBA') com camisolas de futebolistas, incluindo Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
"Eu também gosto de basquetebol, mas quem me tirasse o futebol tirava-me tudo", disse Louis Chan, de 28 anos, que viajou de Zhaoqing, a 200 quilómetros de Macau.
Tudo com a esperança de conseguir um autógrafo de David Beckham, antigo futebolista internacional inglês que tem uma parceria com a empresa que gere o Venetian Macau.
"C Luo [Cristiano Ronaldo em chinês] é já o melhor marcador de sempre na história do futebol", lembrou Chan, que vestia uma camisola do Al Nassr com o nome do capitão da seleção portuguesa
Cristiano Ronaldo voltou na sexta-feira à competição e marcou o primeiro na vitória do Al Nassr sobre o Al Diriyah (3-0), o golo número 980 na carreira e continua a tentar ser o primeiro jogador a alcançar mil golos em partidas oficiais.
O avançado madeirense já marcou 146 golos ao serviço de Portugal, mas o futuro internacional de Cristiano Ronaldo está em dúvida, após ter abandonado o estágio da seleção portuguesa em 30 de setembro.
Isto depois de ter sido suplente não utilizado no triunfo na visita à Noruega (2-1), a contar para o Grupo A4 da Liga das Nações, tendo na terça-feira justificado a atitude com uma quebra de confiança por parte do selecionador Jorge Jesus.
"É uma completa falta de respeito [por parte do selecionador]. Não se manda uma estrela com Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi aquecer e depois não joga", disse Tessie Fang.
A adepta de 35 anos, que vestia uma camisola do Real Madrid com o nome do português, tinha em 2024 comprado bilhetes para ver o Al Nassr jogar em Shenzhen, no sudeste da China.
Na altura, Cristiano Ronaldo lesionou-se e os dois particulares do Al Nassr foram cancelados, decisão que levou adeptos chineses a invadir o hotel onde a equipa saudita estava hospedada, para tentar ver o português.
"Foi uma grande desilusão, porque eu tinha passado horas em frente ao computador para comprar bilhetes para o jogo com o Shanghai Shenhua. Mas espero um dia ter a oportunidade de o ver jogar ao vivo", disse Fang.
Uma oportunidade que Hazhel Galgao já teve, quando o cozinheiro filipino de 47 anos, agora a trabalhar num restaurante português em Macau, vivia na Arábia Saudita.
"A liga [saudita] já tinha alguns jogadores conhecidos, mas quando contrataram o Ronaldo, foi uma enorme euforia", recordou Galgao, que vestia uma camisola da seleção portuguesa.
O filipino prosseguiu: "Acho que o treinador [Jorge Jesus] esteve mal ao não respeitar o estatuto do Ronaldo, mas espero que ele ainda possa regressar. Afinal, ele merece uma despedida digna, como a do Messi".
Messi, de 39 anos, despediu-se na terça-feira em festa da seleção argentina de futebol, com um golo e duas assistências, num triunfo por 3-0 sobre o Benim, perante 85 mil adeptos, na capital Buenos Aires.