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Madeira

Madeira tem a mais baixa taxa de vacinação contra a Covid-19 entre os idosos

Contra 50,1% no país. Na vacinação geral, menos de 56% colocam os idosos madeirenses apenas à frente dos açorianos

No pico da crise de covid-19, a maioria da população idosa foi vacinada.   Foto Arquivo/Aspress
No pico da crise de covid-19, a maioria da população idosa foi vacinada.   Foto Arquivo/Aspress

A Região Autónoma da Madeira tem a taxa de vacinação mais baixa do país entre a população com 65 ou mais anos no caso da Covid-19. Menos de um em cada cinco (18,9%) receberam a vacina nos 12 meses anteriores à entrevista, contra uma média nacional de 50,1%. Os dados são do Inquérito Nacional de Saúde (INS) 2025, divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no Destaque "Saúde dos Idosos".

Na vacinação contra a gripe, 69,5% dos idosos receberam a vacina nos 12 meses anteriores à entrevista, mas com heterogeneidade regional. A região Norte destaca-se pela proporção mais elevada (77,2%), enquanto as Regiões Autónomas apresentaram os registos menos favoráveis: 52,6% nos Açores e 55,7% na Madeira.

O mesmo sucede, como referido, com a Covid-19, com 25,3% nos Açores e 18,9% na Madeira. Na Grande Lisboa (56,7%) e na Península de Setúbal (57,3%) registaram-se as proporções mais elevadas, e, a par da região Norte (53,3%), foram as únicas regiões a superar a média nacional.

À vacinação contra a pneumonia, nos cinco anos anteriores à entrevista, correspondem taxas mais reduzidas, com a média nacional em 18,8%. As regiões Norte, Centro e Grande Lisboa apresentavam as taxas mais elevadas, em torno de 21%, enquanto no Alentejo a taxa foi de apenas 8,7%. Na Madeira, segundo o INE, a taxa foi de 16,1%, abaixo da média nacional e acima, também, da dos Açores (10,2%).

O INE sublinha que 45,9% dos idosos (1,204 milhões de pessoas) têm dificuldade na realização de pelo menos uma actividade doméstica e que 16,9% (442,4 mil) têm dificuldade na realização de cuidados pessoais.

O inquérito foi realizado no 4.º trimestre de 2025, e os principais resultados tinham sido divulgados a 24 de Junho de 2026. Este Destaque aprofunda a informação sobre a saúde da população residente com 65 ou mais anos.

Dificuldades sensoriais e físicas

Ouvir num ambiente ruidoso, usar a memória ou a concentração e morder e mastigar eram as principais dificuldades (moderadas ou elevadas) referidas pelos idosos, apontadas por 41,5%, 35,2% e 34,9%, respetivamente. Considerando apenas as limitações elevadas, as principais dificuldades eram morder e mastigar (17,1%), subir ou descer 12 degraus sem ajuda (16,9%) e caminhar 500 metros sem ajuda (15,4%).

Morder ou mastigar (34,9% nos idosos e 4,2% na restante população) e subir ou descer 12 degraus sem ajuda (33,6% e 3,4%) eram as limitações que afetavam relativamente mais os idosos. Menos de um terço da população com 65 ou mais anos (32,0%) vive sem limitações físicas ou sensoriais. As limitações motoras afetavam 38,3% dos idosos, contra 6,0% da população com menos de 65 anos, e quase o dobro das mulheres idosas face aos homens (46,8% e 27,2%).

Barreiras à participação

Os problemas de saúde prolongados dificultam sobretudo a mobilidade: a utilização de meios de transporte foi referida por 16,9% dos idosos, o acesso e utilização de edifícios e instalações por 16,0% e a mobilidade fora de casa por 15,7%.

Cuidados pessoais e atividades domésticas

A dificuldade em cuidados pessoais (atividades básicas da vida diária) foi referida por mais mulheres (20,7%) do que homens (11,9%) e, especialmente, pelos maiores de 85 anos (41,0%). A dificuldade em atividades domésticas (ir às compras, cozinhar, realizar as tarefas de casa, gerir o dinheiro, tomar medicamentos e utilizar o telefone) afetava 59,2% das mulheres e 28,5% dos homens, e 78,6% das pessoas com 85 ou mais anos.

A maior parte dos idosos consegue alimentar-se sem ajuda (97,3%), mas refere maior dificuldade em atividades que exigem mobilidade: tomar banho ou duche (32,6%), deitar-se ou sentar-se e levantar-se na cama ou na cadeira (28,6%) e vestir-se ou despir-se (14,7%). Nas atividades domésticas, as dificuldades elevadas são mais frequentes em ir às compras (13,1%), realizar tarefas domésticas ligeiras (8,2%) e realizar tarefas ocasionais pesadas (22,3%). A partir dos 85 anos, também a gestão da medicação (21,7%) e a gestão administrativa e financeira (22,5%) são referidas com mais frequência.

A necessidade de ajuda é mais apontada nos cuidados pessoais (31,9% dos maiores de 65 anos e 42,0% dos maiores de 85) do que nas atividades domésticas (23,9% e 27,4%). A proporção de idosos com necessidade de ajuda era superior entre os homens (37,4% e 24,5%, respetivamente) e entre os que viviam sós (35,9% e 24,7%).

Cuidados informais e suporte social

Em 2025, 4,6% dos idosos receberam apoio domiciliário pelo menos uma vez por semana nos 12 meses anteriores à entrevista e 22,4% receberam apoio ou assistência informal. Cerca de 12% (11,9%) prestaram cuidados informais, ligeiramente acima dos 11,4% das pessoas entre os 25 e os 64 anos. A diferença explica-se pelos cuidados a não familiares, já que os prestados a familiares foram semelhantes (10,4%) nos dois grupos. O tempo dedicado é maior nos idosos, com 6,4% a dedicarem 10 horas ou mais.

A rede de suporte social da população dos 15 aos 64 anos é mais alargada: 35,6% dos idosos contavam apenas com uma ou duas pessoas próximas a quem recorrer em caso de problema pessoal grave, contra 29,1% da população não idosa. Ainda assim, mais de um terço dos idosos (34,3%) beneficiava de um suporte social forte, contra 31,9% da população não idosa.

Doenças crónicas e medicamentos

A hipertensão arterial afeta 55,5% dos idosos, seguindo-se as dores lombares ou outros problemas crónicos nas costas (50,0%), o colesterol elevado (48,4%) e a artrose (45,6%). Completam a lista as dores cervicais (35,9%), a diabetes (27,0%), a incontinência urinária (18,9%), as alergias (17,9%) e a depressão (16,2%).

Nas duas semanas anteriores à entrevista, 89,3% das mulheres e 92,7% dos homens com 65 ou mais anos consumiram medicamentos prescritos, uma proporção claramente superior à da população dos 15 aos 64 anos. O consumo de medicamentos não prescritos foi mais reduzido nos idosos: 19,2% nas mulheres e 26,9% nos homens.

O consumo habitual de medicamentos prescritos para hipertensão (51,1% nos idosos, contra 25,6%), diabetes (22,3% contra 6,8%) e colesterol elevado (46,1% contra 22,8%) é claramente mais expressivo nos idosos: mais do triplo no caso da diabetes e o dobro no da hipertensão e do colesterol. Na insónia (23,6% contra 16,5%) e nas dores crónicas (26,1% contra 19,8%), o recurso a medicação também é maior, mas a diferença é menos expressiva. Pelo contrário, os idosos recorrem menos a medicação para a depressão (11,2% contra 12,9%) e para a ansiedade (13,5% contra 17,0%).

Acidentes domésticos e de lazer

A proporção de idosos que sofreu pelo menos um acidente doméstico ou de lazer com lesão nos 12 meses anteriores à entrevista foi de 6,4%, contra 3,2% nas pessoas dos 15 aos 64 anos. A ocorrência aumenta com a idade: 4,8% entre os 65 e os 74 anos, 7,4% entre os 75 e os 84 e 9,7% a partir dos 85.

O inquérito

O INS 2025 baseou-se numa amostra representativa de 22 mil alojamentos de todo o território nacional e enquadra-se no projeto europeu EHIS (European Health Interview Survey), cuja recolha regular foi integrada no regulamento europeu IESS a partir de 2025. Com este Destaque, o INE aumenta em cerca de 70 os indicadores do INS 2025 disponíveis no seu site, associados ao tema Saúde.