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PSP regista mais de 54.000 crimes contra idosos nos últimos três anos

Foto José Sena Goulão/Lusa
Foto José Sena Goulão/Lusa

A PSP registou mais de 54.000 crimes contra idosos nos últimos três anos, estando o furto por carteiristas a aumentar desde 2024, revelou hoje aquela polícia, quando se assinala o Dia Internacional das Pessoas Idosas.

"A tendência é para uma relativa estabilização. Quando nós vamos analisar a criminalidade reportada contra idosos no período pós-Covid, sobretudo nos anos 23, 24 e 25, percebemos que há uma tendência para a estabilização entre as 17.500 e as 18.500 participações ao ano", disse o chefe da Divisão de Prevenção Criminal e Policiamento de Proximidade da PSP, Hugo Guinote, em entrevista à agência Lusa.

Segundo o responsável, há uma prevalência da criminalidade patrimonial, sobretudo de furtos e burlas, enquanto nos crimes contra pessoas sobressaem as agressões e a violência doméstica.

De acordo com os dados divulgados à Lusa, a Polícia de Segurança Pública registou 54.275 crimes contra idosos em três anos, tendo recebido 18.432 queixas em 2023, diminuindo para 17.613 em 2024 e no ano passado voltaram a aumentar para 18.230.

Em 2024, foram contabilizadas 2.488 queixas de burlas, 1.635 de burla informática e nas comunicações, 1.026 furtos em residência, 1.822 de violência doméstica, 1.243 por ofensa integridade física simples e 859 por ameaça e coação.

No ano seguinte, a PSP registou 1.006 furtos por carteiristas a pessoas idosas, 938 furtos em residência, 805 burlas, 1.814 crimes de violência doméstica, 1250 por ofensa integridade física simples e 864 por ameaça e coação.

Em 2025, os furtos por carteiristas aumentaram para 1.227, seguidos por 1.894 crimes de violência doméstica, 1.248 de ofensa à integridade física simples, 997 furtos em residência, 853 burlas e 825 por ameaça e coação.

Segundo a PSP, os idosos vítimas de crimes têm uma idade média de 73 anos e os homens são maioritariamente vítimas de crimes patrimoniais e as mulheres de crimes contra pessoas.

No ano passado, 44% dos crimes de violência doméstica são de tipologia não conjugal, maioritariamente de filhos contra pais.

Hugo Guinote indicou que a PSP tem feito "continuamente centenas de ações de sensibilização" nos centros de dia, lares e campanhas porta-a-porta.

"Nessas campanhas vamos alertando os idosos para determinados comportamentos de autoproteção, seja na sua residência, seja nos trajetos entre a residência e os locais que normalmente frequenta, como os locais onde vão fazer as compras diárias ou quando vão fazer o levantamento de quantias monetárias", disse.

"O facto de termos cada vez mais idosos no nosso país, mas os números de criminalidade estarem relativamente estabilizados, sugere-nos que os idosos estão cada vez a adotar mais comportamentos auto protetivos", sustentou.

Segundo Hugo Guinote, a PSP tem em todo o país entre 300 a 350 polícias que, em exclusividade ou em acumulação com as funções da Escola Segura, vão colocando em prática o programa Apoio 65 - Idosos em Segurança, uma iniciativa do Ministério da Administração Interna criada para proteger a população sénior, com foco especial nos idosos que vivem isolados ou em situação de maior vulnerabilidade social.