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Escolas, repartições e aeroporto de Alepo fechados devido a confrontos

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Foto EPA

Escolas, repartições públicas e o aeroporto estão hoje encerrados em Alepo, a principal cidade do norte da Síria, onde se têm registado confrontos esporádicos entre as forças governamentais e curdas que provocaram nove mortos na terça-feira.

Em resposta à violência, as autoridades decidiram, na noite de terça-feira, suspender todos os voos do aeroporto da segunda maior cidade da Síria durante 24 horas e encerrar hoje escolas, universidades e repartições públicas.

Os confrontos de terça-feira foram os mais intensos entre os dois lados, que até agora não conseguiram implementar um acordo assinado em março para integrar as instituições da administração autónoma curda no novo Estado sírio.

Alepo "era uma cidade fantasma ontem à noite [terça-feira], sem atividade, com as lojas fechadas e as ruas mergulhadas na escuridão devido aos cortes de energia", descreveu um homem que fugiu, com a mulher, do distrito curdo de Achrafieh para se refugiar junto de familiares.

Segundo a agência de notícias oficial SANA, hoje de manhã também se registaram bombardeamentos, com origem em bairros curdos visando áreas controladas pelas forças governamentais e retaliações.

O representante da autoridade autónoma curda em Damasco, Abdel Karim Omar, disse em declarações à agência de notícias francesa AFP que "estão a ser feitos esforços para acalmar a situação, já que uma escalada [do conflito] não interessa a ninguém".

De acordo com este responsável, os dois bairros curdos de Ashrafieh e Sheikh Maqsoud estão "cercados" e não houve nenhum bombardeamento proveniente destas zonas, sublinhando que são controladas pelas forças de segurança interna curdas (Asayish), "que apenas possuem armas ligeiras".

Os confrontos de terça-feira "lembraram-nos da guerra. Não temos para onde fugir", disse uma mãe de 53 anos que vive no bairro siríaco de Alepo, citada pela AFP.

Durante a guerra civil síria (2011-2024), Alepo foi palco de confrontos entre rebeldes e forças leais ao então Presidente Bashar al-Assad, antes de este retomar o controlo da cidade em 2016.

Os confrontos eclodiram num contexto de impasse nas negociações para a implementação do acordo assinado em março, que previa a integração das Forças Democráticas Sírias (FDS), predominantemente curdas, no Estado sírio até ao final de 2025.