DNOTICIAS.PT
Comunidades Mundo

"Foi tudo muito intenso"

None

Caracas vive uma manhã de aparente tranquilidade e de paralisia quase total, poucas horas depois dos intensos bombardeamentos registados durante a madrugada. Às 7 horas da manhã, o cenário na capital venezuelana é o de uma cidade fantasma, com comércios encerrados, ausência de circulação e sem transportes públicos a funcionar.

O testemunho é de Denis Gonçalves, advogado, sociólogo, activista político e empresário, lusodescendente e filho de pais madeirenses, que se encontrava em Caracas no momento dos ataques. “Por volta das 2h30 da manhã começou o bombardeamento. Foi algo muito intenso, como nunca se tinha visto na Venezuela”, relatou.

Segundo Denis Gonçalves, os ataques fizeram-se sentir em toda a capital, acompanhados por sobrevoos de aviões e helicópteros militares. “Foram bombas muito estrondosas, houve uma grande intensidade”, descreveu, acrescentando que também houve registos de ataques nos estados de Aragua, La Guaira e Miranda.

Depois da madrugada marcada por explosões, a cidade acordou completamente isolada. “Caracas está sozinha. Esta manhã saí de casa e vim para a casa do meu pai. Está tudo parado”, afirmou. O silêncio é total. “Se escutar agora, não se ouve nada. Não há movimento nenhum”, descreveu.

Às primeiras horas do dia, a situação mantém-se inalterada: comércios fechados, ruas desertas e transportes públicos suspensos. A população permanece recolhida em casa, num clima de incerteza e receio, sobretudo de possíveis represálias por parte das forças do regime.

Apesar do cenário de bloqueio, Denis Gonçalves acredita que os acontecimentos podem marcar um ponto de viragem no país. “Vai haver uma mudança importante na Venezuela. Isso é inevitável”, afirmou, lembrando que as eleições de 28 de julho revelaram uma expressão clara da vontade popular que não foi reconhecida.

Para o advogado, este momento pode obrigar a vice-presidente Delcy Rodríguez a negociar, abrindo caminho a um novo ciclo político. “Isto é o início de uma mudança que o país espera há muito tempo”, sublinhou.

Denis Gonçalves tem raízes madeirenses. A mãe é natural do Funchal e o pai do norte do Seixal, ligação que mantém viva mesmo à distância. Depois do ruído ensurdecedor da madrugada, Caracas enfrenta agora o contraste absoluto: silêncio, ruas vazias e uma população à espera do que virá a seguir.