Polónia duplicou deportações em 2025 e expulsou mais de 2.000 pessoas
A Polónia deportou à força cerca de 2.100 estrangeiros em 2025, o dobro do número registado no ano anterior, na sequência de reformas legais para "retomar o controlo" das fronteiras e expulsar imigrantes que cometeram crimes.
Além dos 2.100 deportados à força, outras 7.200 pessoas que receberam ordens de deportação no ano passado cumpriram a determinação voluntariamente, elevando o total para 9.300.
O número é o resultado da "luta implacável contra a imigração ilegal, contra o abuso e a exploração de lacunas legais ou da fragilidade do Estado", afirmou hoje o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, referindo-se à nova legislação de imigração.
Os ucranianos foram a nacionalidade mais afetada, com 1.150 deportações forçadas, seguidos por 350 cidadãos georgianos, que o Governo polaco associou anteriormente a uma "onda importada de crimes".
O endurecimento das restrições reflete também uma maior vigilância sobre aqueles que cometem crimes ou se envolvem em distúrbios públicos, como aconteceu em agosto de 2025, quando 63 pessoas da Ucrânia e da Bielorrússia foram expulsas após terem provocado incidentes num concerto em Varsóvia.
Durante o último ano, o Governo polaco implementou a chamada "Estratégia de Migração 2025-2030", que inclui alterações à legislação concedendo maiores poderes à guarda fronteiriça e restringindo o acesso ao asilo.
A lei permitiu mesmo a suspensão temporária do direito de procurar asilo caso fossem detetados indícios de "instrumentalização deste direito.
Além disso, apesar da pressão da União Europeia (UE), Varsóvia recusou terminantemente participar no plano de distribuição de migrantes pelos países-membros.
As medidas de solidariedade previstas destinam-se a "aliviar o fardo sobre os países onde chegam mais migrantes", como a Itália e a Grécia, e são um dos principais elementos do Pacto da UE sobre Migração e Asilo, que começará a ser aplicado a partir de 12 de junho de 2026.
Em fevereiro de 2025, Tusk declarou que "a Polónia não assumirá quaisquer encargos relacionados com o mecanismo de recolocação", argumentando que o seu país já tinha "cumprido as suas obrigações" ao acolher mais de um milhão de refugiados ucranianos após o início da guerra com a Rússia, em 2022.
O novo quadro legal inclui também penas mais severas para combater o emprego ilegal de estrangeiros e estabelece controlos rigorosos sobre os vistos para estudantes universitários de fora da União Europeia.