O PSD M não pode brincar com o fogo
1. Em 1985, ainda na primeira volta, o primeiro candidato às eleições presidenciais de 1986 que Alberto João Jardim recebeu na Quinta Vigia foi Mário Soares. Isso tinha já um significado e quiçá um objetivo. Um recém-chegado a Primeiro-Ministro, Cavaco Silva, com uma popularidade crescente entre os portugueses cansados de instabilidade, e um Presidente em Belém de Direita apoiado por Cavaco certamente não seria o cenário ideal para a afirmação da Autonomia constitucional ainda recente.
2. Na segunda volta, membros do Governo da Região optaram, individualmente, pelas candidaturas de Freitas e Soares. Um comício no Largo da Restauração de apoio a Soares tinha como orador o Secretário do Turismo João Carlos Abreu. E, se a memória não me falha, dei de caras com o Secretário-Geral Jaime Ramos na sede do MASP, Movimento de Apoio Soares à Presidência ali na Rua do Aljube.
3. Diz ainda a lenda que o líder histórico do PSD terá dito, no dia das eleições na segunda volta, a um dirigente de um partido de esquerda que mandou votar Soares: - Desta vez vamos votar no mesmo. “Se non è vero, è molto ben trovato”.
4. Santiago Abascal já felicitou Ventura. Este líder Ultra Direita espanhola, o Vox, cujos militantes e apoiantes mais exaltados incluem nas manifestações tiradas contra o Rei e palavras de ordem franquistas, é contra as autonomias espanholas e, pior ainda, é iberista e já divulgou mapas da Península Ibérica sem demarcação de fronteiras. E o Amor a Portugal? De fitas está o povo cheio.
5. Fica assim provado que está em perigo a Democracia, a Autonomia e, nestes tempos de quebra do Direito Internacional, em que prevalece a lei do mais forte, com a potência liderante do Ocidente chefiado por um alucinado, a própria Independência Nacional.
6. Em nome destes valores essenciais, a Democracia, a Autonomia, a Independência, os sociais-democratas, tal como em 1986, e com mais urgência do que nesse tempo, Ventura não é Freitas do Amaral, que heresia, nem a Ultra Direita é democrata-cristã, os liberais de índole europeia, enfim, todos os democratas, sabem que, desta vez, não é um mero confronto entre Direita e Esquerda, mas entre a Democracia e os seus inimigos. E que quem está do lado da Democracia é António José Seguro. Do outro lado, é a descida aos infernos do totalitarismo. Pode-se gritar Autonomia vezes mil, mas ela foi tecida por Abril.
Miguel Fonseca